Quem destroçou o meu corpo num tsunami
quem fez dos meus desejos um jardim
quem me prendeu o amor numa gaiola
não sabe que tenho o sol dentro de mim?
Que eu já saltei pelas muralhas do tempo
o meu corpo é estação desactivada
mas tenho o mundo inteiro dentro de mim
as minhas dores são aves de emigração
que as aprendi a libertar com a alma
Morri p'ro mundo mas não aceito a campa rasa
comprei a viagem só de ida e sem regresso
filho de um Deus que não aceita a morte em nada
quem disse que o fim não é só o princípio?
onde eu nasço e colho rosas dentro de ti!
manuel feliciano
8.02.2010
Vou mesmo sem mar
A terra está ferida
e os ossos dos desejos quebrados
e eu quero ir mais longe
até ao mais alto céu
porque cá em baixo não há anjos
estamos em hora de ponta
na avenida o trânsito manca
e as leis do meu país
são a verdura do joio
que excomunga o povo
e o manda p'ro caralho
ver o sol à janela
como um veleiro sem vela
deram-me pedras por sol
deram-me pó pela água
e eu vou fumar um cigarro
talvez por cima de uma tumba
porque já estou enterrado
embora minha alma não jaza
porque tu esperas por mim
e os andes são a minha alma
onde lavas os cabelos
alegras-te, choras e ris
eu sigo mesmo em frente
num barco navegando na areia
terei eu que assumir
ser o próprio universo
sem o bicho da madeira
e rir-me da escravatura?
manuel feliciano
e os ossos dos desejos quebrados
e eu quero ir mais longe
até ao mais alto céu
porque cá em baixo não há anjos
estamos em hora de ponta
na avenida o trânsito manca
e as leis do meu país
são a verdura do joio
que excomunga o povo
e o manda p'ro caralho
ver o sol à janela
como um veleiro sem vela
deram-me pedras por sol
deram-me pó pela água
e eu vou fumar um cigarro
talvez por cima de uma tumba
porque já estou enterrado
embora minha alma não jaza
porque tu esperas por mim
e os andes são a minha alma
onde lavas os cabelos
alegras-te, choras e ris
eu sigo mesmo em frente
num barco navegando na areia
terei eu que assumir
ser o próprio universo
sem o bicho da madeira
e rir-me da escravatura?
manuel feliciano
Quiero estar desnuda
Quiero estar desnuda
Quiero estar desnuda,
Quitármelo todo,
Hasta las palabras
De Neruda
Que inundaron mi alma
De poesía.
Quiero atravesar
Calles tan vacías
Como mi blog
En estos meses.
Llenarme de agua
De aire y de día
Para alejarme
De la saturación
De las noches
De hiperactiva ambición.
Quiero la mirada
De un mudo que
Reúna todos los sentimientos
Que destrozaron las palabras.
No quiero sentir las telas
Ni escuchar mi nombre
Prefiero ir a la deriva
Y sacrificar las anclas
A no sentirme viva
Al navegar con velas
Movidas eléctricamente.
Quiero la caricia
De un ciego que admira
Impertérritamente
Mi desnudez incolora.
Sin anillos
Sin collares
Y sin ropa
Quiero sentirme
Más yo
Y menos otra
Sentir en la piel
El abrazo del mar
Sin interferencias
Correr por la orilla
Sin guardar confusas
las ilusas apariencias.
Quiero el grito sordo
De quien está solo
E irremediablemente lejano.
Si no hubiera otros poetas
Yo tampoco escribiría.
No quiero estar vestida
Para poder sentir
Desnuda tu mano
En la mía.
Publicado por la poeta Olga Delgado
http://www.itmfw.blogspot.com/
Quiero estar desnuda,
Quitármelo todo,
Hasta las palabras
De Neruda
Que inundaron mi alma
De poesía.
Quiero atravesar
Calles tan vacías
Como mi blog
En estos meses.
Llenarme de agua
De aire y de día
Para alejarme
De la saturación
De las noches
De hiperactiva ambición.
Quiero la mirada
De un mudo que
Reúna todos los sentimientos
Que destrozaron las palabras.
No quiero sentir las telas
Ni escuchar mi nombre
Prefiero ir a la deriva
Y sacrificar las anclas
A no sentirme viva
Al navegar con velas
Movidas eléctricamente.
Quiero la caricia
De un ciego que admira
Impertérritamente
Mi desnudez incolora.
Sin anillos
Sin collares
Y sin ropa
Quiero sentirme
Más yo
Y menos otra
Sentir en la piel
El abrazo del mar
Sin interferencias
Correr por la orilla
Sin guardar confusas
las ilusas apariencias.
Quiero el grito sordo
De quien está solo
E irremediablemente lejano.
Si no hubiera otros poetas
Yo tampoco escribiría.
No quiero estar vestida
Para poder sentir
Desnuda tu mano
En la mía.
Publicado por la poeta Olga Delgado
http://www.itmfw.blogspot.com/
Um pequeno aparte
É verdade que muita gente ama a minha poesia, pessoas essas de vários estratos sociais, desde o mais pequeno ao mais alto, e outros a considerem uma burrice, mas isso para mim só funciona, na medida em que pelo menos não me sinto a escrever em vão, eu escrevo pelo mais alto sentido da liberdade que sinto enquanto homem.
Todavia não planto vaidades, nem embadeiro em arco elogios, nem tão pouco a vida, talvez por ter a consciência da afemeridade do mundo assim como do seu absurdo, o que não quer dizer que não a ame até um certo ponto.
O que me faz uma certa confusão é que andam por aí umas pessoas limpinhas que não gostam que coloquemos a palavra merda na literatura, como se ela não seja um referencial de alguma coisa que está menos bem, e como se ela não exista, por isso sou imune a falsos púdicos, e a minha escrita assim como as minhas palavras não são gratuitas, quem quiser pão de ló, que vá à confeitaria.
A pátria que eu amo, que nada tem a ver com o estado ou governos partidários, mas com vivências, lugares e memórias vai desde o Minho ao Algarve, e ainda por cima andam por aí alguns senhores, que acham que o norte é meramente a cidade do Porto e o resto é paisagem, cidade que devo dizer que amo muito e tenho boas recordações, pois sou um português completo, mas já agora aproveito para dizer, que nós homens do norte, temos a virtude de chamar os bóis pelos nomes, o que não obsta que eu ame com muito orgulho o meu país de norte a sul, e que embora nascido na provincia, tenho um carinho muito especial pelo Porto e Lisboa,cidades que sempre me acolheram muito bem e às quais estou grato, e que a minha cultura é tão somente citadina, embora ame muito o lugar que me viu nascer.
Manuel Feliciano
Todavia não planto vaidades, nem embadeiro em arco elogios, nem tão pouco a vida, talvez por ter a consciência da afemeridade do mundo assim como do seu absurdo, o que não quer dizer que não a ame até um certo ponto.
O que me faz uma certa confusão é que andam por aí umas pessoas limpinhas que não gostam que coloquemos a palavra merda na literatura, como se ela não seja um referencial de alguma coisa que está menos bem, e como se ela não exista, por isso sou imune a falsos púdicos, e a minha escrita assim como as minhas palavras não são gratuitas, quem quiser pão de ló, que vá à confeitaria.
A pátria que eu amo, que nada tem a ver com o estado ou governos partidários, mas com vivências, lugares e memórias vai desde o Minho ao Algarve, e ainda por cima andam por aí alguns senhores, que acham que o norte é meramente a cidade do Porto e o resto é paisagem, cidade que devo dizer que amo muito e tenho boas recordações, pois sou um português completo, mas já agora aproveito para dizer, que nós homens do norte, temos a virtude de chamar os bóis pelos nomes, o que não obsta que eu ame com muito orgulho o meu país de norte a sul, e que embora nascido na provincia, tenho um carinho muito especial pelo Porto e Lisboa,cidades que sempre me acolheram muito bem e às quais estou grato, e que a minha cultura é tão somente citadina, embora ame muito o lugar que me viu nascer.
Manuel Feliciano
8.01.2010
Na outra margem rio
Meu amor
depois desta demora
que não fui eu que a escolhi
do outro lado do rio
as águas correm e vão secas
por entre barcos de papel
e aviões de asas quebradas
estradas para lugar nenhum
casas imaginárias
corpos de faz de conta
comboios descarrilados
a genética é mera proxeneta
a ciência é casa inacabada
que não pode contrariar os deuses
a vontade de beijar-te
tornou-se a faixa de Gaza
lugar de difícil acesso
onde a fome é um jardim sem cultivo
rezem por mim por favor
mas não me tragam anjos de barro
tragam-me o princípio sem fim
e a voz de um deus criador
na chuva que cai sobre a terra
Que eu colho-te dentro de mim!
manuel feliciano
depois desta demora
que não fui eu que a escolhi
do outro lado do rio
as águas correm e vão secas
por entre barcos de papel
e aviões de asas quebradas
estradas para lugar nenhum
casas imaginárias
corpos de faz de conta
comboios descarrilados
a genética é mera proxeneta
a ciência é casa inacabada
que não pode contrariar os deuses
a vontade de beijar-te
tornou-se a faixa de Gaza
lugar de difícil acesso
onde a fome é um jardim sem cultivo
rezem por mim por favor
mas não me tragam anjos de barro
tragam-me o princípio sem fim
e a voz de um deus criador
na chuva que cai sobre a terra
Que eu colho-te dentro de mim!
manuel feliciano
Dedicado à actriz Bruna Ferraz

Desce as escadas do céu em melodia de fogo
Na taça de uma flor desata o desejo em carne
Em palavras de saliva despe o fecho desse rio
Acorrentado ao vestido e ao soutien ardendo
Dá-me a beber amor pelo cio dos teus dedos
A terra, a água e os astros, nas pétalas dos teus seios
Nos cantos do meu corpo desperta-me amor e lava
E no fogo do meu pénis cospe a tua flor de seda
Deixa-me ser o álcool consumindo-te o desejo
Incendeia-me a vela na manga da tua boca
Esculpe-me com os s dedos as fúrias de uma hiena
Amansa-me na raiz vermelha dos gomos do teu lago
No violão do teu corpo há talhadas de melancia
Que eu bebo em fios de sumo no luar dos teus cabelos
dança-me a roda da vida nesse teu fogo de água
Cospe-me em fera mordida uma chuva de estrelas
Toco sorrisos de seda na pélvis da tua vulva
E cachoeiras de água na selva do teu pescoço
Que descem até às virilhas eléctricas em choro
Quero-te escrever amor com o meu leite em pétalas
Sossegando o lençol da tua pele em tremura
lambo-te os dedos dos pés em voos ausentes da terra
Sou um cavalo de gozo pastando na tua púbis
Na tua relva agridoce pedaço de céu inflamado
Eu sou flor inebriante lambendo o mel na ilha
Cabeça de sol que abriga e é tempestade
Em trovoadas e chuvas por entre torrentes de gritos
Comendo o além em mistérios do teu céu que leveda.
manuel feliciano
Palavras vermelhas
Cortas-me sem sangue
Com a tua boca de madre silvas
Cálice por onde os deuses bebem
De cristais com licor
Céu em cetim
Pedras em choro
Sabendo-me a carne e a céu
E a um mundo outro
Morde-me e eleva-me
No aconchego do teu vale
De rio, árvores, e ais
Descendo pelo segredo húmido das palavras
Vermelhas, brancas, e cor-de-rosa
Casa escondida onde crianças brincam
Fora do mundo
Como é bom entrar nesse pequeno lugar
Feito do segredo dos teus olhos
Faiscantes de estrelas
Como rolas por cima dos ramos
Água na cascata dos cabelos
Tenho sede
Preciso engolir-te os cabelos
Suicidar-me com eles
por entre lagos e raízes
À velocidade ultra-som
Desfalecer nesses teus gritos
É tão bom, ser brisa dentro de ti
Sentir o teu ofegar, o teu cheiro
Meu interior ser tua fotografia por fora
E recolher-me no teu íntimo
Nessas pétalas de sal
E tomá-las em açúcar numa nuvem branca
Queria que me engolisses como um céu
E inventássemos um mundo
À nossa medida
Se quiseres eu sirvo-te todos os dias
Ser teu escravo será uma pura liberdade
O marfim, o ouro, e os diamantes
Não são para toda gente
Nem sempre são para os melhores
Mas tu és da índole do marfim
Dos diamantes e do ouro
Eu sou um simples trabalhador a dias
Escavando essas minas por um salário baixo
Nem sei se o sol me atribuirá elogios
Porque eu sou das coisas pequenas
Dos lagartos em cima das couves
Por isso
Só uma ave
Muito genuína
Em cima de mim pousaria
No meu estado simples
De quem corre as ruas
Com fogo nas mãos
E eu não sei se queres esse fogo
Que faz parte da tristeza da vida
Ser agricultor morrendo pobre
Mas pondo amor sempre na terra
Onde o teu beijo sangra
Para que o cereal nasça
Eu não sei se me darias sol
Para que a semente desabrochasse
Deixa-me ao menos
Aquecer-te num dia de inverno
E elevar-te numa nuvem ao céu
E esgrimir-te em sois derretendo
Na saliva dos teus sonhos
Habitar a tua eternidade
Em cada recôndito
Em cada dentada de sol
Erguendo-se-te na púbis
Eu ser um teu cordeiro
Pastando-te alegria
O cansaço
E as dores
E fecundá-las em barcos de vento
Sou quem ousa pousar
Sobre os ombros da tua Babel!
Em Línguas feitas de asas de amor.
manuel feliciano
Mar adentro
Deixa que a brisa percorra teus seios
E o mar te leve esse cansaço
Na língua adoçada de minha boca
Entre meus braços gemendo em teu corpo
Desprende os teus olhos e me prende ao teu tronco
Enquanto eu lavo os teus pés dessa guerra
E chupo a canseira e te deixo leve
Desmaiada em orgasmos e o meu pénis lambendo
Nossos corpos descendo pelo luar enrolados
Mastigando o amor na saliva das rosas
Deixa ser-me caule nascendo em tua terra vermelha
Ou chuva em teus cabelos regando a sementeira
Que o último verão queimou quase a promessa
De girassóis dançando na cúpula dos verbos!
Manuel Feliciano
E o mar te leve esse cansaço
Na língua adoçada de minha boca
Entre meus braços gemendo em teu corpo
Desprende os teus olhos e me prende ao teu tronco
Enquanto eu lavo os teus pés dessa guerra
E chupo a canseira e te deixo leve
Desmaiada em orgasmos e o meu pénis lambendo
Nossos corpos descendo pelo luar enrolados
Mastigando o amor na saliva das rosas
Deixa ser-me caule nascendo em tua terra vermelha
Ou chuva em teus cabelos regando a sementeira
Que o último verão queimou quase a promessa
De girassóis dançando na cúpula dos verbos!
Manuel Feliciano
7.31.2010
Flores alucinadas
Alucinação
Oh não! Que essas flores não me suicidem
Eu sonho-vos flores mulheres
Que eu não vejo em vós uma outra coisa
Que não carne
Carne com dor doçura e lamento
Que me invadem e tem a força pagã
De um deus grego
Deixai-me entrar agora
Nesse vegetal orgânico
Perfeitamente susceptível às narinas
Para que as coxas sejam respiráveis
E os braços mergulhem no abismo
Real e imaginário
Nessa fremência magnética de sabores
Cósmicos de fornicações suaves
De céu estrelas e nuvens
Experimentalmente rosas
Neste rio que transborda e deixa para trás
O corpo quando o sexo morde
Oh se-de tudo em minha boca
Enquanto eu for
Possibilidade imaginária de todas as coisas!
Manuel Feliciano
Nesse regato escuro
Nesse regato escuro
Onde a lua amadurece
A língua lânguida desmaia
O caule da flor cresce
A rola pousa no ninho
Húmido e silvestre
Os lábios pastam no feno
O corpo desaparece
Os rebentos de rosa gritam na boca
Balança um navio nas ancas à solta
A flecha dispara na rosa aberta
A dor é um grito que se incendeia
O corpo é savana que a pele inventa
Raiares vermelhos vertem-me dos lábios!
Manuel Feliciano
Onde a lua amadurece
A língua lânguida desmaia
O caule da flor cresce
A rola pousa no ninho
Húmido e silvestre
Os lábios pastam no feno
O corpo desaparece
Os rebentos de rosa gritam na boca
Balança um navio nas ancas à solta
A flecha dispara na rosa aberta
A dor é um grito que se incendeia
O corpo é savana que a pele inventa
Raiares vermelhos vertem-me dos lábios!
Manuel Feliciano
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