8.06.2010

Dei os meus olhos às borboletas



Dei os meus olhos cansados às asas das borboletas
Assim elas vão pousar com alegria nas flores
Polinizando as dores sem tristezas e lamentos
Sem deixar para o amanhã a taça da felicidade
Voando como duas crianças com alegria sem tempo
Beber no azul do céu cada anjo que sempre nos corre
Semeando palavras sem medo com as suas asas ao vento
Correndo de flor em flor sem por em questão a vida
Aceitando o bem e o mal sem descerem aos infernos
Sem tocarem a arrôgancia que as leis do mundo provocam
Morrendo a cada dia felizes como quem nasce para sempre
Oferecendo o dia que finda à natureza Deusa mãe!


manuel feliciano

8.05.2010

Ofereçam-me o Cd da Paula Fernandes

http://www.musica-portuguesa-gratis.com/Paula.Fernandes.htm

Cante para mim musa da melodia dos pássaros e das palavras sussurantes das pétalas, eu quero alvorecer nas nuvens sedosas da tua voz ,com palavras com sabor a flores. Vá amigos brasileiros ofereçam-me esse presentinho, já é um crime a Ana Carolina não cantar para mim, não ter ido ao concerto da Vanessa da Mata em Lisboa, e ainda amar essa voz mágica sem que ela me possa adormecer num jardim num remexer de águas e árvores dançantes.


Cante para mim Paula Fernandes e me arrepia com a sua voz, quero sentir esse Outono sangrando na minha alma cheio de cores. Estou triste ainda não consegui escrever o poema da minha vida, são estas musas que me tornam pequeno.

Teu fã incondicional Paula Fernandes
manuel feliciano

In veritas

Não tenho que me justificar se sou poeta ou não sou poeta
Ou se sou um avião sobrevoando sem asas
Cidades por entre as algemas do tempo
Tão pouco eu sou poeta pela mera opinião alheia
Sou aquilo que sou com os meus defeitos e virtudes
Não me alimento do quintal do vizinho
Ó filho queres alfaces foram-se todas com a chuva
Eu nem tenho sequer quaisquer dúvidas
Que já não se anda de porta em porta dando-se tigelas de sopa
A quem anda como um cão comendo sonhos nas esquinas
E olha que ultimamente é melhor passar fome
Que vender o que há na alma por meia dúzia de notas.


manuel feliciano

Duas palavras a Fernando Pessoa

Nem me chego muito a ti
Na tua catedral de palavras
O mar envolve-me por todo
E eu só sou um mero mosquito
De ti eu sou a impaciência
O tédio da vida e um barco no poente
Eu acho que ainda hoje não sabem
Que escreveste uma cidade em carne viva
E que em vida foste um defunto
O que puseste a morte em causa
Embora cambaleaste o que é próprio
De um ser humano com humildade
Que nem tudo sabe de si
Que nem tudo sabe do mundo
E fica naquele intermédio
A tocar os pés dos anjos
Se no lugar do coração colotaste uma lata velha
É porque aqui dói de verdade
Neste teatro do ser
E que nas verdadeiras tempestades
Quistes saber o que é mundo
Por isso não encomendaste o sol
Quando os teus pés estavam gelados
Porém, eras o bastante para apanhar flores na chuva
Eu sei que te riste com a aparência
Tu questionaste será que eu estou vivo?
Embora soubeste ressuscistar a aldeia da tua infância
Para fugires a este abismo do pó que se impregna no corpo
Neste absurdo que dói de nunca se matar a sede
De andarmos sempre para aqui como se fôssemos algo
E decidissemos o amanhã com um telefonema urgente
Mas ainda bem que soubeste brincar ao esconde-esconde
Só ainda não entendi porque te amaram só após a morte
Vou visitar a tua campa e fumar uma cigarrada
Contigo na esplanada da Brasileira a ver passar umas mulheres
Mas olha o esgoto continua o mesmo e as carinhas não mudaram!!!



Manuel Feliciano

8.04.2010

A indiferença

A indiferença não me mata "a alma humana é suja e porca como um ânus"

Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.
- 159.


Era o que queríeis? o meu pênis ri-se às gargalhadas!!!!


manuel feliciano

Voo cancelado

No aeroporto de Lisboa
a pista estava com as mãos brancas
e o voo cancelado
Lisboa-Lima-Arequipa
o Agosto fervia nas uvas
no mosto ferrado dos lábios
o teu beijo era uma alvorada
que me levava direito ao céu
e pisavamos os andes
em luzes trémulas dentro de mim
no altar da minha aldeia
com flores cortadas para que?
eu ardia gelado de frio
e Ela vinha vestida de noiva
desciamos Paucarpata
eramos noivos numa igreja
e cantavam estrelas cadentes
esganei o aeroporto
e então despi-me pelos cañones
e pensei em casar-me contigo
com lábios que não encontrei
saimos para comermos na lua
um prato de Ceviche
e bebemos enquanto houve
pela cúpula das flores
aquilo que o mundo nos negou
casas feitas de emoções
contudo a alma é minha
e essa é feita da tua
com fontes que jorram luares
e arrasam mil desertos
embora o maior seja o da alma
eu não vim do pó da valeta
por isso não temo o amanhã
a vida é o sempre para sempre
tu és-me alfa e ómega
beija-me sem medo e morte
dança esta valsa comigo
de uvas maduras no cio
transpirando todo o seu mosto
bebido no sumo das bocas
olha que não há a fim do mundo
só morre aquilo que não dás!


manuel feliciano

se não me amam é indiferente

Se me amam
ou não me amam
para mim é indiferente
o mundo é uma cona
com o coração ausente
a neve a mim aquece-me
o sol é uma doce chuva
e as árvores são os meus mares
e as minhas melhores mulheres
foi as que nunca tive
mas dizem que ainda me amam
que interessa se tudo é poeira
Eu quero é comer a maçã
oh que cona que bebedeira
que a terra consumirá...
se me amam
ou não me amam
dança comigo em pó
em matéria rarefeita
nem necessitamos das mãos
que gozo beber sem os lábios
o importante sou eu por dentro
em mil orgasmos no espaço
esse que a terra não mama
de certeza o meu caralho!


manuel feliciano

8.03.2010

Desperta país

o meu povo está castrado
com o soníforo da bola
e o ópio da tourada
com a imagem da mulher boa
na tv publicitando
pensando que as coxas são suas
e o bancário asas de rato
mamando o sangue às escuras
num país desigualitário
há foda de dinheiro à balda
entregue aos grandes patrões
que enterram até aos colhões
no cú dos seus empregados
que ficam com nada nas mãos
os políticos aldrabando
com dinheiro tão mal espalhado
alimentava meio mundo
mas é o povinho que paga
no império dos ladrões
nesta nação já sem piça
quem é rei coça os colhões!!!



manuel feliciano



por um Portugal Justo

Amanhã não importa

Quando o orvalho cai
e escreve o seu rosto na terra
há pássaros naquelas palavras
tocando melodias nas almas
murmúrios nas asas de anjos
que ecoam em meu elemento
solar de células cósmicas
que meus olhos não vêem de todo
porque só sou pequena gota
de toda a grandeza celeste
que me interessa se não vejo tudo
se sinto que a chuva me fala
na imensidão do interior
não chove que amanhã é promessa
e o passado nem sequer existiu
e o hoje é só um mero teatro
que se joga com os bolsos vazios
que se apaga com luzes e palmas
cantemos com trago de vinho
mil anos foi só um segundo
e o sol vai vencer esta noite!
sorriam a peça foi boa
colhamos que o amanhã é dos deuses.



manuel feliciano

Ao ferro velho da nação

Tenho vergonha que o meu povo esteja castrado
Adormecido à janela desde manhã ao Pôr-do-sol
Que não tenham a noção de que todos temos direitos
Que a liberdade e o dinheiro sejam só para alguns
Enquanto os bebés-provetas a notas limpam o cú
Que tanto suor gerou na testa dos tristes coitados
Que não saem no jornal nem sequer são os heróis
Olha que isto dá-me pena ser uma nação sem colhões!


Manuel Feliciano


Fico humilhado com tanto ladrão em Portugal, uma verdadeira afronta, disse.