Roubaram-me o Eu e as cidades do mundo
Quem me esperava não se cansou de mim
O sol só me levou-me imagens inexistentes
Que me exigiram ser múmias de faraós
Quem despejou o hangar dos meus sonhos?
Que sobrevoam o ar em asas de aviões
Só fez com que eu quebrasse todos os limites
Não quero ver o sol vou mesmo pelo escuro
Só a noite torna meu universo mais claro
Agora sigo em frente de olhos fechados
caminho sem me deslocar do meu corpo
Vou mesmo pela canoa dos meus ossos
Quebrados ao som do canto das Sereias
Nada do que me é sagrado me saqueiam
Não há mãos que possam com a minha luz
Eu sou uma parte do todo que te habita
A flor do amor não tem tempo que a seque
Quem me esperava maruja no meu coração
Sou o sorriso da chuva semando-lhe emoções.
manuel feliciano
9.06.2010
9.05.2010
Folhas de Outono
No Ountono as cores das folhas aquecem-nos o corpo
A Primavera sussurra-nos em pássaros que emigram
E na ramagem dos cabelos comem-nos os diospiros
A Chuva bate-nos nos lábios e o coração acende-se
Os nossos rostos ficam pálidos e as almas reluzem
Somos uma árvore despida e desembocamos um no outro
As nossas raízes aconchegam-se no quentinho da terra
As nuvens tampam o sol, mas somos raios que tremem
Cada folha que cai é o rebento de beijos nas hastes
Os nosso olhar são duas luas mexendo o mar de saliva.
manuel feliciano
A Primavera sussurra-nos em pássaros que emigram
E na ramagem dos cabelos comem-nos os diospiros
A Chuva bate-nos nos lábios e o coração acende-se
Os nossos rostos ficam pálidos e as almas reluzem
Somos uma árvore despida e desembocamos um no outro
As nossas raízes aconchegam-se no quentinho da terra
As nuvens tampam o sol, mas somos raios que tremem
Cada folha que cai é o rebento de beijos nas hastes
Os nosso olhar são duas luas mexendo o mar de saliva.
manuel feliciano
9.04.2010
Mau samaritano
Tu que és falso profeta
Foges da dor à calada
De predadores comendo vítimas
Da voz retalhada na estrada
Tudo é imaginação
Filosofia cheirando a pó
E o teu Eu onde está
Por acaso num lagar sem uvas?
Escondes-te do sol sangrando
E vens com os pés de Judas
Venderes tudo o que não tens
Que é a vergonha na cara
Cai-te um pássaro morto na boca
Não lhe feches os olhos vadio
É das tuas raízes covarde
Jesus Cristo não saltou fogueiras
Queimou com as brasas os pés
Para se dar em cachoeiras
A pobres, doentes e ricos
Carregando um madeiro seco.
manuel feliciano
Foges da dor à calada
De predadores comendo vítimas
Da voz retalhada na estrada
Tudo é imaginação
Filosofia cheirando a pó
E o teu Eu onde está
Por acaso num lagar sem uvas?
Escondes-te do sol sangrando
E vens com os pés de Judas
Venderes tudo o que não tens
Que é a vergonha na cara
Cai-te um pássaro morto na boca
Não lhe feches os olhos vadio
É das tuas raízes covarde
Jesus Cristo não saltou fogueiras
Queimou com as brasas os pés
Para se dar em cachoeiras
A pobres, doentes e ricos
Carregando um madeiro seco.
manuel feliciano
Crianças adultas
Crianças trabalham na rua
Carregam tralhas e lágrimas
Humilhações e sonhos em postas
Para sustentar homens sem lógica
Com o hoje corroído nas costas
E o amanhã mordido entre os lábios
Vendem frutos a mãos quentes
Num mundo que caminha de costas
Na esperança de um céu sem sangue
E dão-se em luz aos olhos do mundo
Que só são cegos mas por opção.
manuel feliciano
Carregam tralhas e lágrimas
Humilhações e sonhos em postas
Para sustentar homens sem lógica
Com o hoje corroído nas costas
E o amanhã mordido entre os lábios
Vendem frutos a mãos quentes
Num mundo que caminha de costas
Na esperança de um céu sem sangue
E dão-se em luz aos olhos do mundo
Que só são cegos mas por opção.
manuel feliciano
O amor
O amor tem mais que quatro letras
É uma fonte que queima no rosto do escuro
Não se escreve nem se desenha porque não há tinta
Com que se possa sequer fazer o vulto da palavra
Amor escreve-se com beijos em corais na boca
Amor planta-se com abraços nas ilhas dos seios
Amor sou eu e tu sobre canhões enferrujados
É fazer da ausência um cais que me espera
É a palmeira que cresce e rasga a areia infecunda
Sou quando corro sem os limites do meu corpo
Me crucifico sem qualquer dor a ferro e fogo
Me dou inteiro como árvore num rio nos pés da foz!
manuel felciano
É uma fonte que queima no rosto do escuro
Não se escreve nem se desenha porque não há tinta
Com que se possa sequer fazer o vulto da palavra
Amor escreve-se com beijos em corais na boca
Amor planta-se com abraços nas ilhas dos seios
Amor sou eu e tu sobre canhões enferrujados
É fazer da ausência um cais que me espera
É a palmeira que cresce e rasga a areia infecunda
Sou quando corro sem os limites do meu corpo
Me crucifico sem qualquer dor a ferro e fogo
Me dou inteiro como árvore num rio nos pés da foz!
manuel felciano
Sobre os escritores
Eu já vi pessoas em Portugal a queixarem-se que foram excluídos do teatro, da televisão, da dança, mas nunca vi nem um poeta e nem um escritor queixar-se, em abono da verdade, só o Cesário Verde é que tinha a loucura de publicar o seu livro e sentia-se indignado por ninguém lhe dar o devido mérito, mas nem veio reclamar dinheiro, para não falar de Fernando Pessoa, esse escrevia para brincar aos Eus e exorcizar os medos, e deixou um espólio literário que ainda alguém lucra com ele menos eu, bem para não falar do Saramago, quer dizer o Saramgo não tem culpa do mundo ser imperfeito, e ser matéria pensante, ainda por cima foi censurado num país que se diz democrata, em suma, vivam os loucos que se atrevem a escrever! Os escritores merecem mais dignidade, eu ainda não posso reclamar porque nem me deixam ser escritor, além disso, eu vejo coisinhas a ganharem fortunas em Portugal por terem cú de pavão, e o Fernando Pessoa que levou Portugal ao Mundo, é um ex-libris ou melhor dizendo um morto vivo verdadeiramente atemporal, quer dizer, viva a canalhada do meu país!!!!
manuel feliciano
manuel feliciano
9.02.2010
O Império do Sol
Foi no dorso dos Andes em Macchu-Picchu que nasci
Lavo-me no nascer do Sol e oro-lhe como um Deus
Eu estou ainda tão nú como no primeiro instante
Em que o ventre da Luz se sangrou pelo meu corpo
Cheira à frescura de uma virgem esculpida no Perú
As montanhas e as raízes são-me a carne arrancada
Como é belo o doce cantar dos pássaros de chuva
E as sementes parindo-me sem medo nos lábios filhos
Do sangue que me chuparam nasceram-me novas aves
Que fizeram os Colonos com os meus ossos no chão?
Ainda brotam sorrisos de alegria sem as mãos sujas
As que preferiram o ouro do que um coração sem mácula
A cada lágrima sou farol e a cada grito uma espiga
Hei-de ser moinho e dar-me todo em farinha à fome
De crianças inocentes que apanham frutos no vento
Nutrir a terra queimada e florir em caras brancas de gelo!
Que fizestes aos olhos e à boca que agora não os sinto?
manuel feliciano
Lavo-me no nascer do Sol e oro-lhe como um Deus
Eu estou ainda tão nú como no primeiro instante
Em que o ventre da Luz se sangrou pelo meu corpo
Cheira à frescura de uma virgem esculpida no Perú
As montanhas e as raízes são-me a carne arrancada
Como é belo o doce cantar dos pássaros de chuva
E as sementes parindo-me sem medo nos lábios filhos
Do sangue que me chuparam nasceram-me novas aves
Que fizeram os Colonos com os meus ossos no chão?
Ainda brotam sorrisos de alegria sem as mãos sujas
As que preferiram o ouro do que um coração sem mácula
A cada lágrima sou farol e a cada grito uma espiga
Hei-de ser moinho e dar-me todo em farinha à fome
De crianças inocentes que apanham frutos no vento
Nutrir a terra queimada e florir em caras brancas de gelo!
Que fizestes aos olhos e à boca que agora não os sinto?
manuel feliciano
9.01.2010
As minhas sensações
Quem disse que sou um poeta?
Não tem conhecimento de causa
Sou árvore onde se deitam à sombra
Melancia na boca de outros
Navego por cima de telhados
Porque onde vivo não tem mar
Sou director de negócios
Conheço quase todo o mundo
Em reuniões com papéis em branco
Que não abordam o essencial
Nem chegam a nenhum lugar
E um homem só vale a gravata
E o dinheiro que traz no bolso
De bom só mesmo as viagens
Aquelas que tem iníco na cama
Que não pagam tarifas nem taxas
Só são sensações dos meus sonhos.
manuel feliciano
Não tem conhecimento de causa
Sou árvore onde se deitam à sombra
Melancia na boca de outros
Navego por cima de telhados
Porque onde vivo não tem mar
Sou director de negócios
Conheço quase todo o mundo
Em reuniões com papéis em branco
Que não abordam o essencial
Nem chegam a nenhum lugar
E um homem só vale a gravata
E o dinheiro que traz no bolso
De bom só mesmo as viagens
Aquelas que tem iníco na cama
Que não pagam tarifas nem taxas
Só são sensações dos meus sonhos.
manuel feliciano
O mundo cansa-me
Estou cansado
Perfeitamente cansado
Entreguei-me à proa de um navio
Joguei o pensamento às águas
Nada me importa e aflige
Sou insensível como os ferros
cansam-me os sentimentos
caminhar na rua com algum propósito
Sou completamente imaterial
E enquanto isso o tempo passa
As flores não me arranham
O universo é uma bola de sabão
Nada é sobrenatural
Tudo é o que é [...]
Sem perguntas e respostas
De uma forma aceitável
Sem nenhum desconforto
Vale a pena que eu grite?
Enquanto isso o navio vai e vem
Sem quaisquer rugas na testa.
manuel feliciano
Perfeitamente cansado
Entreguei-me à proa de um navio
Joguei o pensamento às águas
Nada me importa e aflige
Sou insensível como os ferros
cansam-me os sentimentos
caminhar na rua com algum propósito
Sou completamente imaterial
E enquanto isso o tempo passa
As flores não me arranham
O universo é uma bola de sabão
Nada é sobrenatural
Tudo é o que é [...]
Sem perguntas e respostas
De uma forma aceitável
Sem nenhum desconforto
Vale a pena que eu grite?
Enquanto isso o navio vai e vem
Sem quaisquer rugas na testa.
manuel feliciano
A lei do caos
O caos formou a natureza
Os deuses os anjos
Os seres e o diabo
E tudo isto afinal
Anda à roda da calha
Uns mais tristes
Outros mais alegres
Andamos todos à chuva
Como quem apanha laranjas
O caos não se compadece
Mesmo com quem compra o mundo
E olha que os deuses
Não matam os inocentes
E deixam por cá os iníquos
O fim é todo o mesmo
Tal como foi o princípio
Um parto amargurado
Para quem nasceu do nada
E ainda herdou a vida
Bate palmas meu amigo
Enquanto não viramos bruma.
manuel feliciano
Os deuses os anjos
Os seres e o diabo
E tudo isto afinal
Anda à roda da calha
Uns mais tristes
Outros mais alegres
Andamos todos à chuva
Como quem apanha laranjas
O caos não se compadece
Mesmo com quem compra o mundo
E olha que os deuses
Não matam os inocentes
E deixam por cá os iníquos
O fim é todo o mesmo
Tal como foi o princípio
Um parto amargurado
Para quem nasceu do nada
E ainda herdou a vida
Bate palmas meu amigo
Enquanto não viramos bruma.
manuel feliciano
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