4.13.2011

Absent in body

And when you've also not got you

And your absence in fetuses runs me in the eye

And do you have is you twice

And when you do not have is love

Because there are things inside and outside

Because things exist even without a mouth

And the breeze is propelling your body

And the sea echo of your eyes

And my hands are full of thee two trees

And my tears are words that call you

And your silence is the shape of your lips

Until the waters feel

Even the birds sing

When you have also not got you

As the rain to rip the stones

As the river to find the sea.





Manuel Feliciano

4.12.2011

A sombra do sol

Trago na minha alma

Uma mulher tão magra e húmida

Que me crava enlouquecida os dentes de desejo.

E o meu gemido incendeia o escuro

É a minha dor é um cacho de uvas

E o meu silêncio é carnal e táctil

E eu beijo como quem desenha sem tinta

A estrada que só conhece a pele

Não nos nega nada e a terra é fértil.
Porque os lugares sou eu só que os faço

Porque a ausência é um corpo de astros

E um cheiro que sobeja estrelas.

E como nós dançamos em forma de barcos

E peixes zonzos vagueiam pelo sangue

E os meus olhos doem-me como úlceras

Eu trago-te toda em mim despida

E não ter nada é um orgasmo nas tuas coxas

E não ter nada é um sorriso de boca aberta

E não ter nada é o coração no mundo

E a pobreza em nós é toda chama

E o nosso estômago é um luar cheio de céu.







manuel feliciano

4.11.2011

Mundo

Hoje tu e eu vamos mesmo se há uma chuva de balas

Eu acredito que a canção está mais à frente….



E não é meu amor

Que a minha consciência não me doa

Não é que no meu coração não haja cadeiras de rodas

Camas de hospitais com crianças a chorar



Mas porque há tudo isto

É que eu quero ir contigo mesmo se há uma chuva de balas

A terra tem que me ouvir sem mais espera

O vento tem que deixar escorrer todo o meu pranto

O tempo tem que me abrir toda a luz

Porque eu não tenho mais tempo para escutar as mãos frias

Porque eu não tenho mais tempo para nenhum Deus

Porque eu não tenho mais lugar onde ficar

E eu quero seguir em frente mesmo com os músculos rasgados

Eu quero ir contigo mesmo que me doa

Com a minha consciência em carne lamber o escuro

E plantar o AMOR nas trevas

Eu não quero que sintas que estás só

E para que não sofras eu vou contigo

Como um pássaro bêbado pelo primeiro voo

E alguém ao fundo terá que cantar para nós

E alguém ao fundo terá que nos abraçar

E nos dizer porque diabo é este o mundo

Porque ninguém pode perder o azul que jorra

Porque a vida tão pouco o deixaria.





manuel feliciano









manuel feliciano

Imensidão

É de uma luxúria imensa este medo que não assombra
E a vida há-de ser sempre um lugar muito mais além

Não houve mar porque toquei os teus cabelos no fundo
E quando devia ter tocado o sal só vi o sol

As casas vazias
As casas vazias e magras
Cheias de perfume intenso
Do cheiro contínuo da púbis
Do parto prolongado
Da floresta densa cheia de sons
Do ombigo florescendo nos ouvidos
Da flauta ecoando nos punhos secos
A morte é tão verdadeira como eu estar vivo.

Eu sei que estas latas velhas não são tudo.
Nem o mal nem o bem em que giramos
E a vida é um corpo irrespirável
A luz tem uma voz doce e pulmonar
A vida é tão somente quando acordamos
E temos a ideia de que alguém nos abre os braços
Da cor da primavera e da eternidade
E a primavera é o dia em que nascemos de um sono profundo
E a primavera há ser sempre o dia em que vergamos
Outro tempo em que nos imaginamos perfeitos
Em lugares que dispesam a esperança
Para além de pontes falsas e cheias de abismo

Em que eu e tu não acreditamos.
Da mesma forma que não acreditamos ter nascido.
Não vale a pena nenhum choro. Porque até o choro é de uma diemensão divina
De um poesia perfeita, que nos escuta.
E quantas vezes eu choro, porque o meu coração
Me escuta, e eu penso que estou só, mas no limite da curva, prolongo-me
eu tenho a consciência, que os meus fios de cabelos, desmentem todas as descrenças, e agradeço a Deus por ter nascido.



manuel feliciano

4.10.2011

Silêncio

O meu estômago está cheio de estrelas

É preciso que as escutes contra as tempestades

Que as engulas antes que chova

Ergue as velas dos olhos no escuro

Como quem vai descalço em espinhos

Porque os olhos são colheres vazias

Vê por dentro sem quaisquer muralhas

Os rostos que pouco ou nada dizem

Vê-las é o menos interessante

Escuta-as com o silêncio das mãos

Na força das raízes que crepitam

Com um grito enrolado no oceano

Como se a tua boca chorasse num parto

Como eu habite todo o teu silêncio.




manuel feliciano

Metade de mim

Não sabes o quanto me custa esta verdade

Mas metade de ti eu já tenho

Os meus olhos andam loucos

Como duas fontes cheias de sede

Se a tua face não vêem

Com a mesma verdade que o trigo

Incendeia a terra

Assim a minha boca to quer escrever

Sem ti tenho o desprazer de ver nas árvores

Uma mera chuva destrutiva

E nos jardins sombras de sonhos

E eu sei que os meus cabelos estão vergados de amor

E como tu aqueces a paisagem

E estrangulas o tempo

E desenhas andorinhas na minha boca

Guarda o meu olhar puro e pobre

E as noites serão perfeitas

Mesmo com a morte

Mas não me dês nada

Diz-me só com os olhos cegos que me amas

E deixa que as minhas pálpebras

Desinchem no teu umbigo

A tumefação das caravelas no mar

Sem gestos que quebrem a tua aura

Também não te canses com as palvras

Deixa só o teu perfume cantar canções

Porque eu tenho medo se não me olhares

De provavelmente nunca ter nascido.




manuel feliciano

O amor

Meu amor sente de longe o amor comigo

Mas não me queiras dar os teus cabelos

Deixa que eu conte os séculos nos fios

O tempo em que andavamos desnudados

Em que tinhamos fome mas eramos felizes

E nos alimentavamos do cantar das aves



Também por ventura não me dês as mãos

Porque importa-me que elas sejam pássaros

E que levantem sempre quando as toque

Comer-lhe uvas em dias quentes de Verão

E quando o Inverno se apoderar da pele

Deixa que elas sejam o meu próprio fogo



E se o teu sorriso me quiser assaltar a boca

Deixa uma nesga de fora para tomar mais tarde

Senão eu saberei já tanto do campo e das flores

E eu quero-te degustar como pela primeira vez

Em que latejavamos para saber o que era um beijo

E o amor era o desejo de mãos dadas em gestação.







manuel feliciano

4.09.2011

Animalidade

Hoje eu quero ser cão e não mais que cão

Se me prometeres que me dás migalhas

Da tua bela boca com as quais te dispo

Nesse teu sorriso de pérolas

Com o conforto de que há tudo

Nas sílabas virgens da pele

Que o estômago vazio sonha

Eu juro que isto é muito mais que o céu

Que o aveludado da comida

E se por ventura

Me quiseres dar as mãos

Eu preferia que mas desses frias

Porque são as frias que têm os barcos

E que esperam comigo lapidar caminhos

Evolar-me numa nuvem cor de rosa

Ver-te dançar alegre nos meus ombros

Corrermos por entre campos tão líquidos

Sentir o orgasmo na flor que não seca

E se por ventura mas quiseres dar quentes

É provável que o teu peito seja um texto cheio

Que não permite os mistérios da minha língua.




manuel feliciano

4.08.2011

A menina da pastelaria

A menina da pastelaria

Que me vendia pasteis

Na seda fresca das manhãs

Perguntava-me a sorrir

Se eu queria o pastel de sempre



E as suas mãos

Eram uma prisão

E os seus olhos

Candelabros por acender

E o seu corpo

A raíz quadrada da flor



Mas no mar

Que lhe trasbordava da boca

Eu e ela

Molhamos as mãos e os pés

Saltamos as pedras

E desatamos lágrimas

Dissemos não

Às árvores de aço

E choramos mel

Nos olhos sôfregos de amor





E eu nunca soube

Quem era a menina

Da pastelaria

Nem tão pouco a vi

No jardim da vida

Senão na farinha

Húmida do meu ser.







manuel feliciano

4.07.2011

Almas gémeas

Eu e o meu pensamento

Somos duas pessoas

Embrionárias de sol

De mãos dadas rua abaixo

E o acto de pensar

É uma faina de gente

E o meu coração

É uma mulher donzela

Lançando-me olhares

Em cada esquina da vida

Na promessa de peixes

Aturdidos num beijo

Perdoem-me todos aqueles

Que são escravos da carne

Os que não se encontram

Na cápsula de si mesmos

Como as coisas ganham

Um trago amargo se as toco

Só os braços ao longe me consolam

Eu que não sei nada da chuva

Depois que a terra com amor a sulca

Quanto menos tenho mais sinto as coisas

Como me assassinas com a saliva nos lábios

Para mim basta-me a ideia de um beijo

Porque a ideia de um beijo é um rio de coisas

E um beijo quando dado é a morte de tudo

Só o impossível me arde e me afaga

E é o único Deus que me transforma o mundo.







Manuel Feliciano