And when you've also not got you
And your absence in fetuses runs me in the eye
And do you have is you twice
And when you do not have is love
Because there are things inside and outside
Because things exist even without a mouth
And the breeze is propelling your body
And the sea echo of your eyes
And my hands are full of thee two trees
And my tears are words that call you
And your silence is the shape of your lips
Until the waters feel
Even the birds sing
When you have also not got you
As the rain to rip the stones
As the river to find the sea.
Manuel Feliciano
4.13.2011
4.12.2011
A sombra do sol
Trago na minha alma
Uma mulher tão magra e húmida
Que me crava enlouquecida os dentes de desejo.
E o meu gemido incendeia o escuro
É a minha dor é um cacho de uvas
E o meu silêncio é carnal e táctil
E eu beijo como quem desenha sem tinta
A estrada que só conhece a pele
Não nos nega nada e a terra é fértil.
Porque os lugares sou eu só que os faço
Porque a ausência é um corpo de astros
E um cheiro que sobeja estrelas.
E como nós dançamos em forma de barcos
E peixes zonzos vagueiam pelo sangue
E os meus olhos doem-me como úlceras
Eu trago-te toda em mim despida
E não ter nada é um orgasmo nas tuas coxas
E não ter nada é um sorriso de boca aberta
E não ter nada é o coração no mundo
E a pobreza em nós é toda chama
E o nosso estômago é um luar cheio de céu.
manuel feliciano
Uma mulher tão magra e húmida
Que me crava enlouquecida os dentes de desejo.
E o meu gemido incendeia o escuro
É a minha dor é um cacho de uvas
E o meu silêncio é carnal e táctil
E eu beijo como quem desenha sem tinta
A estrada que só conhece a pele
Não nos nega nada e a terra é fértil.
Porque os lugares sou eu só que os faço
Porque a ausência é um corpo de astros
E um cheiro que sobeja estrelas.
E como nós dançamos em forma de barcos
E peixes zonzos vagueiam pelo sangue
E os meus olhos doem-me como úlceras
Eu trago-te toda em mim despida
E não ter nada é um orgasmo nas tuas coxas
E não ter nada é um sorriso de boca aberta
E não ter nada é o coração no mundo
E a pobreza em nós é toda chama
E o nosso estômago é um luar cheio de céu.
manuel feliciano
4.11.2011
Mundo
Hoje tu e eu vamos mesmo se há uma chuva de balas
Eu acredito que a canção está mais à frente….
E não é meu amor
Que a minha consciência não me doa
Não é que no meu coração não haja cadeiras de rodas
Camas de hospitais com crianças a chorar
Mas porque há tudo isto
É que eu quero ir contigo mesmo se há uma chuva de balas
A terra tem que me ouvir sem mais espera
O vento tem que deixar escorrer todo o meu pranto
O tempo tem que me abrir toda a luz
Porque eu não tenho mais tempo para escutar as mãos frias
Porque eu não tenho mais tempo para nenhum Deus
Porque eu não tenho mais lugar onde ficar
E eu quero seguir em frente mesmo com os músculos rasgados
Eu quero ir contigo mesmo que me doa
Com a minha consciência em carne lamber o escuro
E plantar o AMOR nas trevas
Eu não quero que sintas que estás só
E para que não sofras eu vou contigo
Como um pássaro bêbado pelo primeiro voo
E alguém ao fundo terá que cantar para nós
E alguém ao fundo terá que nos abraçar
E nos dizer porque diabo é este o mundo
Porque ninguém pode perder o azul que jorra
Porque a vida tão pouco o deixaria.
manuel feliciano
manuel feliciano
Eu acredito que a canção está mais à frente….
E não é meu amor
Que a minha consciência não me doa
Não é que no meu coração não haja cadeiras de rodas
Camas de hospitais com crianças a chorar
Mas porque há tudo isto
É que eu quero ir contigo mesmo se há uma chuva de balas
A terra tem que me ouvir sem mais espera
O vento tem que deixar escorrer todo o meu pranto
O tempo tem que me abrir toda a luz
Porque eu não tenho mais tempo para escutar as mãos frias
Porque eu não tenho mais tempo para nenhum Deus
Porque eu não tenho mais lugar onde ficar
E eu quero seguir em frente mesmo com os músculos rasgados
Eu quero ir contigo mesmo que me doa
Com a minha consciência em carne lamber o escuro
E plantar o AMOR nas trevas
Eu não quero que sintas que estás só
E para que não sofras eu vou contigo
Como um pássaro bêbado pelo primeiro voo
E alguém ao fundo terá que cantar para nós
E alguém ao fundo terá que nos abraçar
E nos dizer porque diabo é este o mundo
Porque ninguém pode perder o azul que jorra
Porque a vida tão pouco o deixaria.
manuel feliciano
manuel feliciano
Imensidão
É de uma luxúria imensa este medo que não assombra
E a vida há-de ser sempre um lugar muito mais além
Não houve mar porque toquei os teus cabelos no fundo
E quando devia ter tocado o sal só vi o sol
As casas vazias
As casas vazias e magras
Cheias de perfume intenso
Do cheiro contínuo da púbis
Do parto prolongado
Da floresta densa cheia de sons
Do ombigo florescendo nos ouvidos
Da flauta ecoando nos punhos secos
A morte é tão verdadeira como eu estar vivo.
Eu sei que estas latas velhas não são tudo.
Nem o mal nem o bem em que giramos
E a vida é um corpo irrespirável
A luz tem uma voz doce e pulmonar
A vida é tão somente quando acordamos
E temos a ideia de que alguém nos abre os braços
Da cor da primavera e da eternidade
E a primavera é o dia em que nascemos de um sono profundo
E a primavera há ser sempre o dia em que vergamos
Outro tempo em que nos imaginamos perfeitos
Em lugares que dispesam a esperança
Para além de pontes falsas e cheias de abismo
Em que eu e tu não acreditamos.
Da mesma forma que não acreditamos ter nascido.
Não vale a pena nenhum choro. Porque até o choro é de uma diemensão divina
De um poesia perfeita, que nos escuta.
E quantas vezes eu choro, porque o meu coração
Me escuta, e eu penso que estou só, mas no limite da curva, prolongo-me
eu tenho a consciência, que os meus fios de cabelos, desmentem todas as descrenças, e agradeço a Deus por ter nascido.
manuel feliciano
E a vida há-de ser sempre um lugar muito mais além
Não houve mar porque toquei os teus cabelos no fundo
E quando devia ter tocado o sal só vi o sol
As casas vazias
As casas vazias e magras
Cheias de perfume intenso
Do cheiro contínuo da púbis
Do parto prolongado
Da floresta densa cheia de sons
Do ombigo florescendo nos ouvidos
Da flauta ecoando nos punhos secos
A morte é tão verdadeira como eu estar vivo.
Eu sei que estas latas velhas não são tudo.
Nem o mal nem o bem em que giramos
E a vida é um corpo irrespirável
A luz tem uma voz doce e pulmonar
A vida é tão somente quando acordamos
E temos a ideia de que alguém nos abre os braços
Da cor da primavera e da eternidade
E a primavera é o dia em que nascemos de um sono profundo
E a primavera há ser sempre o dia em que vergamos
Outro tempo em que nos imaginamos perfeitos
Em lugares que dispesam a esperança
Para além de pontes falsas e cheias de abismo
Em que eu e tu não acreditamos.
Da mesma forma que não acreditamos ter nascido.
Não vale a pena nenhum choro. Porque até o choro é de uma diemensão divina
De um poesia perfeita, que nos escuta.
E quantas vezes eu choro, porque o meu coração
Me escuta, e eu penso que estou só, mas no limite da curva, prolongo-me
eu tenho a consciência, que os meus fios de cabelos, desmentem todas as descrenças, e agradeço a Deus por ter nascido.
manuel feliciano
4.10.2011
Silêncio
O meu estômago está cheio de estrelas
É preciso que as escutes contra as tempestades
Que as engulas antes que chova
Ergue as velas dos olhos no escuro
Como quem vai descalço em espinhos
Porque os olhos são colheres vazias
Vê por dentro sem quaisquer muralhas
Os rostos que pouco ou nada dizem
Vê-las é o menos interessante
Escuta-as com o silêncio das mãos
Na força das raízes que crepitam
Com um grito enrolado no oceano
Como se a tua boca chorasse num parto
Como eu habite todo o teu silêncio.
manuel feliciano
É preciso que as escutes contra as tempestades
Que as engulas antes que chova
Ergue as velas dos olhos no escuro
Como quem vai descalço em espinhos
Porque os olhos são colheres vazias
Vê por dentro sem quaisquer muralhas
Os rostos que pouco ou nada dizem
Vê-las é o menos interessante
Escuta-as com o silêncio das mãos
Na força das raízes que crepitam
Com um grito enrolado no oceano
Como se a tua boca chorasse num parto
Como eu habite todo o teu silêncio.
manuel feliciano
Metade de mim
Não sabes o quanto me custa esta verdade
Mas metade de ti eu já tenho
Os meus olhos andam loucos
Como duas fontes cheias de sede
Se a tua face não vêem
Com a mesma verdade que o trigo
Incendeia a terra
Assim a minha boca to quer escrever
Sem ti tenho o desprazer de ver nas árvores
Uma mera chuva destrutiva
E nos jardins sombras de sonhos
E eu sei que os meus cabelos estão vergados de amor
E como tu aqueces a paisagem
E estrangulas o tempo
E desenhas andorinhas na minha boca
Guarda o meu olhar puro e pobre
E as noites serão perfeitas
Mesmo com a morte
Mas não me dês nada
Diz-me só com os olhos cegos que me amas
E deixa que as minhas pálpebras
Desinchem no teu umbigo
A tumefação das caravelas no mar
Sem gestos que quebrem a tua aura
Também não te canses com as palvras
Deixa só o teu perfume cantar canções
Porque eu tenho medo se não me olhares
De provavelmente nunca ter nascido.
manuel feliciano
Mas metade de ti eu já tenho
Os meus olhos andam loucos
Como duas fontes cheias de sede
Se a tua face não vêem
Com a mesma verdade que o trigo
Incendeia a terra
Assim a minha boca to quer escrever
Sem ti tenho o desprazer de ver nas árvores
Uma mera chuva destrutiva
E nos jardins sombras de sonhos
E eu sei que os meus cabelos estão vergados de amor
E como tu aqueces a paisagem
E estrangulas o tempo
E desenhas andorinhas na minha boca
Guarda o meu olhar puro e pobre
E as noites serão perfeitas
Mesmo com a morte
Mas não me dês nada
Diz-me só com os olhos cegos que me amas
E deixa que as minhas pálpebras
Desinchem no teu umbigo
A tumefação das caravelas no mar
Sem gestos que quebrem a tua aura
Também não te canses com as palvras
Deixa só o teu perfume cantar canções
Porque eu tenho medo se não me olhares
De provavelmente nunca ter nascido.
manuel feliciano
O amor
Meu amor sente de longe o amor comigo
Mas não me queiras dar os teus cabelos
Deixa que eu conte os séculos nos fios
O tempo em que andavamos desnudados
Em que tinhamos fome mas eramos felizes
E nos alimentavamos do cantar das aves
Também por ventura não me dês as mãos
Porque importa-me que elas sejam pássaros
E que levantem sempre quando as toque
Comer-lhe uvas em dias quentes de Verão
E quando o Inverno se apoderar da pele
Deixa que elas sejam o meu próprio fogo
E se o teu sorriso me quiser assaltar a boca
Deixa uma nesga de fora para tomar mais tarde
Senão eu saberei já tanto do campo e das flores
E eu quero-te degustar como pela primeira vez
Em que latejavamos para saber o que era um beijo
E o amor era o desejo de mãos dadas em gestação.
manuel feliciano
Mas não me queiras dar os teus cabelos
Deixa que eu conte os séculos nos fios
O tempo em que andavamos desnudados
Em que tinhamos fome mas eramos felizes
E nos alimentavamos do cantar das aves
Também por ventura não me dês as mãos
Porque importa-me que elas sejam pássaros
E que levantem sempre quando as toque
Comer-lhe uvas em dias quentes de Verão
E quando o Inverno se apoderar da pele
Deixa que elas sejam o meu próprio fogo
E se o teu sorriso me quiser assaltar a boca
Deixa uma nesga de fora para tomar mais tarde
Senão eu saberei já tanto do campo e das flores
E eu quero-te degustar como pela primeira vez
Em que latejavamos para saber o que era um beijo
E o amor era o desejo de mãos dadas em gestação.
manuel feliciano
4.09.2011
Animalidade
Hoje eu quero ser cão e não mais que cão
Se me prometeres que me dás migalhas
Da tua bela boca com as quais te dispo
Nesse teu sorriso de pérolas
Com o conforto de que há tudo
Nas sílabas virgens da pele
Que o estômago vazio sonha
Eu juro que isto é muito mais que o céu
Que o aveludado da comida
E se por ventura
Me quiseres dar as mãos
Eu preferia que mas desses frias
Porque são as frias que têm os barcos
E que esperam comigo lapidar caminhos
Evolar-me numa nuvem cor de rosa
Ver-te dançar alegre nos meus ombros
Corrermos por entre campos tão líquidos
Sentir o orgasmo na flor que não seca
E se por ventura mas quiseres dar quentes
É provável que o teu peito seja um texto cheio
Que não permite os mistérios da minha língua.
manuel feliciano
Se me prometeres que me dás migalhas
Da tua bela boca com as quais te dispo
Nesse teu sorriso de pérolas
Com o conforto de que há tudo
Nas sílabas virgens da pele
Que o estômago vazio sonha
Eu juro que isto é muito mais que o céu
Que o aveludado da comida
E se por ventura
Me quiseres dar as mãos
Eu preferia que mas desses frias
Porque são as frias que têm os barcos
E que esperam comigo lapidar caminhos
Evolar-me numa nuvem cor de rosa
Ver-te dançar alegre nos meus ombros
Corrermos por entre campos tão líquidos
Sentir o orgasmo na flor que não seca
E se por ventura mas quiseres dar quentes
É provável que o teu peito seja um texto cheio
Que não permite os mistérios da minha língua.
manuel feliciano
4.08.2011
A menina da pastelaria
A menina da pastelaria
Que me vendia pasteis
Na seda fresca das manhãs
Perguntava-me a sorrir
Se eu queria o pastel de sempre
E as suas mãos
Eram uma prisão
E os seus olhos
Candelabros por acender
E o seu corpo
A raíz quadrada da flor
Mas no mar
Que lhe trasbordava da boca
Eu e ela
Molhamos as mãos e os pés
Saltamos as pedras
E desatamos lágrimas
Dissemos não
Às árvores de aço
E choramos mel
Nos olhos sôfregos de amor
E eu nunca soube
Quem era a menina
Da pastelaria
Nem tão pouco a vi
No jardim da vida
Senão na farinha
Húmida do meu ser.
manuel feliciano
Que me vendia pasteis
Na seda fresca das manhãs
Perguntava-me a sorrir
Se eu queria o pastel de sempre
E as suas mãos
Eram uma prisão
E os seus olhos
Candelabros por acender
E o seu corpo
A raíz quadrada da flor
Mas no mar
Que lhe trasbordava da boca
Eu e ela
Molhamos as mãos e os pés
Saltamos as pedras
E desatamos lágrimas
Dissemos não
Às árvores de aço
E choramos mel
Nos olhos sôfregos de amor
E eu nunca soube
Quem era a menina
Da pastelaria
Nem tão pouco a vi
No jardim da vida
Senão na farinha
Húmida do meu ser.
manuel feliciano
4.07.2011
Almas gémeas
Eu e o meu pensamento
Somos duas pessoas
Embrionárias de sol
De mãos dadas rua abaixo
E o acto de pensar
É uma faina de gente
E o meu coração
É uma mulher donzela
Lançando-me olhares
Em cada esquina da vida
Na promessa de peixes
Aturdidos num beijo
Perdoem-me todos aqueles
Que são escravos da carne
Os que não se encontram
Na cápsula de si mesmos
Como as coisas ganham
Um trago amargo se as toco
Só os braços ao longe me consolam
Eu que não sei nada da chuva
Depois que a terra com amor a sulca
Quanto menos tenho mais sinto as coisas
Como me assassinas com a saliva nos lábios
Para mim basta-me a ideia de um beijo
Porque a ideia de um beijo é um rio de coisas
E um beijo quando dado é a morte de tudo
Só o impossível me arde e me afaga
E é o único Deus que me transforma o mundo.
Manuel Feliciano
Somos duas pessoas
Embrionárias de sol
De mãos dadas rua abaixo
E o acto de pensar
É uma faina de gente
E o meu coração
É uma mulher donzela
Lançando-me olhares
Em cada esquina da vida
Na promessa de peixes
Aturdidos num beijo
Perdoem-me todos aqueles
Que são escravos da carne
Os que não se encontram
Na cápsula de si mesmos
Como as coisas ganham
Um trago amargo se as toco
Só os braços ao longe me consolam
Eu que não sei nada da chuva
Depois que a terra com amor a sulca
Quanto menos tenho mais sinto as coisas
Como me assassinas com a saliva nos lábios
Para mim basta-me a ideia de um beijo
Porque a ideia de um beijo é um rio de coisas
E um beijo quando dado é a morte de tudo
Só o impossível me arde e me afaga
E é o único Deus que me transforma o mundo.
Manuel Feliciano
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