Por ti o meu olhar mesmo que triste
É o teu sorriso maduro num arrozal
Meu frio pomar florido quando partiste
Onda de mar que te desce ao areal
Por ti a minha escravidão é passarinho
O teu silêncio é pêssego que amadurece
Minha tortura é os teus braços com carinho
Que pousam no meu corpo que amanhece
Por ti a noite escura é os teus lábios
O teu suor a correnteza da alegria
Onde a minha boca te bebe embriagada
Por ti a tua ausência é voz macia
Perfume da tua mão a frutos ácidos
Que cai sobre o meu corpo desamparada!
manuel feliciano
11.29.2012
11.28.2012
Tu sabes que eu sou um ser inacabado meu amor
E ao teu beijo eu sou outro mundo
Que ar tão puro a molhar a areia
Que crianças com caras saudáveis!
Eu deixo de ser só sonho
...Que beijo tão de abelha a pousar na flor
Eu desço-te com os meus lábios
A saber às tuas palavras e pele até ao teu início
A saliva movimenta-se
Os olhos abrem-se como uma roseira sem espinhos
As camas quebram-se
Os hospitais são comidos pelas eras dos nossos dedos
As cadeiras de madeira entram nas árvores
Os nossos braços gemem de ternura e
Cicatrizam a boca a desfazer-se de madura
Que mundo tão real
Como a minha boca chora de amor: Dói de amor
O meu barco ao teu impulso
Como uma brisa limpa de açucenas
A cada grito que se esvai entre os meus lábios e os teus
Semeia-se uma seara na mão de uma criança
O rio abunda e as águas não nos levam
Ouço o teu mar a bater na minha boca. Bebo-te
E os ramos sempre a florir.
manuel feliciano
E ao teu beijo eu sou outro mundo
Que ar tão puro a molhar a areia
Que crianças com caras saudáveis!
Eu deixo de ser só sonho
...Que beijo tão de abelha a pousar na flor
Eu desço-te com os meus lábios
A saber às tuas palavras e pele até ao teu início
A saliva movimenta-se
Os olhos abrem-se como uma roseira sem espinhos
As camas quebram-se
Os hospitais são comidos pelas eras dos nossos dedos
As cadeiras de madeira entram nas árvores
Os nossos braços gemem de ternura e
Cicatrizam a boca a desfazer-se de madura
Que mundo tão real
Como a minha boca chora de amor: Dói de amor
O meu barco ao teu impulso
Como uma brisa limpa de açucenas
A cada grito que se esvai entre os meus lábios e os teus
Semeia-se uma seara na mão de uma criança
O rio abunda e as águas não nos levam
Ouço o teu mar a bater na minha boca. Bebo-te
E os ramos sempre a florir.
manuel feliciano
11.27.2012
Hoje venho anunciar o fim do mundo
Ao olhar quente
Dos meus olhos dentros dos teus
Na brevidade da flores
Colhidas nos teus seios
Pelas minhas mãos
Mãos que entendo e não entendo
Oh céu limpo dos que voltam
Como são felizes os rostos tomando os verdadeiros rostos
As folhas o verdadeiro lugar
Dois velhos à varanda voltando a ser crianças
Há flores a nascer dentros dos pássaros
E pássaros a nascer dentro de nós
Depois as folhas recuperam os sentidos
Nas saliva tremendo na boca
Agora sigo perfeitamente para frente
Canto-te com os meus lábios a roçar as nuvens
Que verdade absoluta
Que feridas tão caladas
Que suspiro de alegria de um cais onde só parto
Do morno do teu pescoço
Agora sei que parto e só fico na infinitude dos teus cabelos
Aperto-te mais que os braços da terra contra mim
E eis o além: O milagre de te amar.
manuel feliciano
Ao olhar quente
Dos meus olhos dentros dos teus
Na brevidade da flores
Colhidas nos teus seios
Pelas minhas mãos
Mãos que entendo e não entendo
Oh céu limpo dos que voltam
Como são felizes os rostos tomando os verdadeiros rostos
As folhas o verdadeiro lugar
Dois velhos à varanda voltando a ser crianças
Há flores a nascer dentros dos pássaros
E pássaros a nascer dentro de nós
Depois as folhas recuperam os sentidos
Nas saliva tremendo na boca
Agora sigo perfeitamente para frente
Canto-te com os meus lábios a roçar as nuvens
Que verdade absoluta
Que feridas tão caladas
Que suspiro de alegria de um cais onde só parto
Do morno do teu pescoço
Agora sei que parto e só fico na infinitude dos teus cabelos
Aperto-te mais que os braços da terra contra mim
E eis o além: O milagre de te amar.
manuel feliciano
11.26.2012
Perdi-te como uma árvore
A sangrar as folhas cheias de ternura
Mas sei que te levo comigo
Para outro lugar. Sei que te amo mais agora
A tua saliva corre nos meus olhos
Há pássaros neste meu choro
E tu és o meu ninho. Sou feliz por te amar.
Ao frio dos teus pés. O meu coração aquece.
Manuel Feliciano
A sangrar as folhas cheias de ternura
Mas sei que te levo comigo
Para outro lugar. Sei que te amo mais agora
A tua saliva corre nos meus olhos
Há pássaros neste meu choro
E tu és o meu ninho. Sou feliz por te amar.
Ao frio dos teus pés. O meu coração aquece.
Manuel Feliciano
11.24.2012
Morde-me o chão de corpos calcinados
De punhos que sangram na garganta
Das pedras em sono
Sinto a estação de todos os homens
Na viagem do tempo
E pinto a pulsação
Das horas nos lábios vermelhos
Do pó onde escuto as vozes em silêncio
É preciso que as pedras pairem
E as crianças nasçam
Doem-me as árvores, as flores, os muros
Os beijos!
Porque sou ponte feita de silêncio em chama
A refazer esses corpos
Que moram neste chão, nestas árvores!
Manuel Feliciano
De punhos que sangram na garganta
Das pedras em sono
Sinto a estação de todos os homens
Na viagem do tempo
E pinto a pulsação
Das horas nos lábios vermelhos
Do pó onde escuto as vozes em silêncio
É preciso que as pedras pairem
E as crianças nasçam
Doem-me as árvores, as flores, os muros
Os beijos!
Porque sou ponte feita de silêncio em chama
A refazer esses corpos
Que moram neste chão, nestas árvores!
Manuel Feliciano
Folhas
Pensas que as folhas caem?
As folhas voam
E estão sempre no mesmo lugar
Como a ti que te amo
Dos cabelos
Aos braços
A tua boca vermelha
É o único chão que provo
Depois de tudo
É mais flor
É mais dia
Como duas mãos que não te agarram
Pela ternura dos ramos
Folha a abrir-se-me no beijo
As folhas não dormem nem morrem
É só assim que te sei.
Manuel Feliciano
As folhas voam
E estão sempre no mesmo lugar
Como a ti que te amo
Dos cabelos
Aos braços
A tua boca vermelha
É o único chão que provo
Depois de tudo
É mais flor
É mais dia
Como duas mãos que não te agarram
Pela ternura dos ramos
Folha a abrir-se-me no beijo
As folhas não dormem nem morrem
É só assim que te sei.
Manuel Feliciano
11.19.2012
Mulher
Mulher tu nasceste
e trouxeste contigo o jardim
Perdido
A ave semeada na boca
O mar a transbordar nos braços
O escuro
O escuro não o trouxeste
Mãe
Amor
Pedra de água que sabe a colo
E a açucena
Ah como dói o sol
E as nuvens nas tuas mãos frescas
Que amparam a rama
Cheia de uvas
Pelos arames dos meus olhos extensos
Em fileiras
Em fileiras
As fileiras são sempre as mesmas
Os teus braços compridos
A minha face vazia
Na planura dos teus dentes
E boca
E o mar sempre à volta
E os barcos amor
Os barcos que não chegam a encostar
Nestes olhos rasos
À vela do teu hálito!
Eu não quero beber-te amor, nunca!
Nem as paisagens
O mundo resume-se a ti
Tu vieste para ficar[...]
Tu és o mundo e a escuridão
Que nada pode contra a tua carne fresca!
Porque Tu és a mãe
E o fogo
Que gera o lugar...
Leva-me ao teu colo que eu quero adormecer
Pelas margens dos teus seios
De trigo quente e dourado
E os pássaros partindo e voltando!
Manuel Feliciano
11.17.2012
A minha mão vazia
Meu amor, Vou dar-te o mais sagrado que tenho
Uma mão vazia
Porém a minha mão vazia
Tem rosas em sangue
Noites feitas de andorinhas
Manhãs bordadas em cristais
E berços onde as crianças são estrelas.
Meu amor, Ainda tens a possibilidade
Dentro da minha mão vazia
Que ela seja pássaro desatando-te nós
Filtro de sal nas tuas lágrimas
O azul suave que te aconchega
Uma flor em pleno nada
A minha mão vazia é uma quantidade de coisas
A Primavera renovada
Na vereda que ardeu...
Uma semente na língua
Escarpando a escuridão
Sente com força a minha mão vazia
Dou-ta e faz dela o que quiseres.
manuel feliciano
Ausência
E quando não te tenho também te tenho
a tua ausência escorre-me em fetos nos olhos
E não te ter é ter-te duas vezes
E quando não te tenho é amor
Porque as coisas existem dentro e fora
Porque as coisas existem mesmo sem boca
E a brisa tem a propulsão do teu corpo
E o mar o eco do teu olhar
As minhas mãos são duas árvores cheias de ti
E as minhas lágrimas são palavras que te chamam
O teu silêncio tem a forma dos teus lábios
Até as águas nos sentem
Até as aves nos cantam
porque quando não te tenho também te tenho
Como a chuva a rasgar as pedras
Como o rio ao encontrar o mar.
manuel feliciano
Jardim desencontrado
Na adolescência eu tive um grande amor
Que vinha comprar rebuçados para nos olharmos
E pelo caminho apanhava figos e não tinha fome
Cortava uvas e não tinha sede
Como uma forma de nos acariciarmos
E porque a voz nos falhava
Quando queríamos dizer amor
As uvas e os figos eram os beijos e as palavras
Que trocamos sem querer
Hoje eu lembro como quem te reencontra
Na loucura de um verão quente
Com as pálpebras bêbedas de sede
A milésimos de cortar a meta
Provei os beijos todos que não demos
e concordo que um grande amor será sempre
Um jardim desencontrado!
manuel feliciano
Subscrever:
Mensagens (Atom)