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7.26.2008

Poema - Palavras em Guerra

Era Domingo
Saías da igreja tão devota
Com orações ainda quentes na boca
E Deus no silêncio dos teus olhos
O teu corpo descia pela rua
Como uma pomba a atravessar
Pelo íntimo da paisagem
Na respiração das bocas
O sol penetrava teu rosto
Frio de terra inóspita
E os pássaros aqueciam-se
Em ramos de árvores dentro de ti
Mas porque os teus olhos
Não pintam rostos diluídos
Em folhas de árvores atirados ao chão
No Outono de cada homem
E gritos que suspiram o sol da tua paisagem
Um mendigo pede-te pão
E tu em fuga o evitas chorando
Com teu Deus morto nos braços
E o Domingo será sempre a redenção dos teus olhos.

5.08.2008

Sinópse do segundo livro "palavras em guerra"

Palavras em guerra fala de uma humanidade quase impossível, de um homem voltado de si para si mesmo, numa sociedade que se diz inteligente, em que muitos afirmam ser filhos de Deus, mas que não revelam em si mesmos, qualquer crença ou inteligência sensível.
São aqueles que vão à missa que abandonam os cães pela estrada, ou que dão restos de comida a Lázaro.
Por isso, “palavras em guerra” é uma seta apontada para aqueles que criaram um mundo e um Deus à medida do próprio egoísmo humano, mas que continuam cegos.
Digo, cegos para admirarem os cães que lambem as feridas dos doentes e abandonados, e perceberem que em cada coisa existe uma essência, e que Deus não se restringe a estes homens, que muitas vezes são meros animais.
São estes homens que criticam a prostitua, e que não maior parte das vezes são tão leves como vento, leves para medirem o seu coração.
É nesta sociedade escrava de um prazer, que eu acredito, que seria possível nascer-lhe uma rosa sobre a rocha, a rocha da escravidão da vaidade e do orgulho.


Manuel Luís Feliciano

4.15.2008

Prefácio do segundo livro

A Ferida e a Guerra


Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
[…]
Luiza Neto Jorge[1]

O segundo livro de Manuel Feliciano assume-se como o palco de uma guerra inusitada: uma guerra entre palavras. Neste sentido, o título Palavras em Guerra, não sendo, como muitas vezes acontece, gratuito, possibilita a constituição de algumas linhas de leitura. “Possibilita”, somente, porque na verdade não há fórmulas para compreender a poesia, nem, aliás, para compreender a vida. Como o poeta nos diz, «[a] fórmula química / envenena a flor»[2].
[1] Luiza Neto Jorge, “O Poema”, Terra Imóvel.
[2] Poema “O poema”.