Biografia
Sou
Filho do sol e lua
O tempo é minha cama
Tempo sem lençóis
Sou
Da índole do vento
Esculpindo nos dedos
Fúrias de leões
Sou
Terra indomada
Passos sem pisadas
Ginete de nuvens
Sou
Nervura de água
Alcatrão da estrada
Pedras gemendo sóis
Sou
Mágoa desfeita em chuva
Em feridas agravadas
Por entre vendavais
Sou
Deserto feito prado
Ferro abandonado
Convertido em homem
Sou
Lança dessa guerra
Liquida na terra
Germinando flores
Sou
Inferno que queima
Nessas mãos sem nada
Nessas mãos sem dedos
Sou
Paraíso em chama
Daqueles que só têm
Dedos em migalhas.
Manuel Feliciano
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7.08.2009
Ao tempo
Ao tempo
Sou horas sem dias
Sou dias sem horas
Ponteiros quebrados
Por entres alquimias
Os dedos da chuva
Suturando feridas
Na derme da terra
Sou feto que nasce
Em forma de sol
No útero da lua
Sou o fogo-fátuo
Para além da morte
Vestindo a noite
Sem mãos corroídas
Não sou fumo de cigarros
Por entre mãos frias
Moinhos que esperam
Através das lágrimas
Devastar o milho
De rostos tão puros
Não sou a estação
De homens que chegam
Carregados de nada
Como peixes atados
Às redes do tempo
Sou tempo sem tempo
Calando a fome
Em bocas – ruínas.
Manuel feliciano
Sou horas sem dias
Sou dias sem horas
Ponteiros quebrados
Por entres alquimias
Os dedos da chuva
Suturando feridas
Na derme da terra
Sou feto que nasce
Em forma de sol
No útero da lua
Sou o fogo-fátuo
Para além da morte
Vestindo a noite
Sem mãos corroídas
Não sou fumo de cigarros
Por entre mãos frias
Moinhos que esperam
Através das lágrimas
Devastar o milho
De rostos tão puros
Não sou a estação
De homens que chegam
Carregados de nada
Como peixes atados
Às redes do tempo
Sou tempo sem tempo
Calando a fome
Em bocas – ruínas.
Manuel feliciano
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