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da autoria de : manuel feliciano
7.16.2009
7.10.2009
7.08.2009
Outono
Ecoam-me Outonos
E folhas amarelas
E luas donzelas
Que me ateiam o fogo
E animais de fumo
Cavalgam sem rumo
No ventre da chuva
Esventram-me o céu
De incenso e mirra
E há vozes acesas
Nas rugas das folhas
Que ainda estão verdes
E sabem a frutos
E beijos esquartejados
No chão semeados
Sangrando ternura
E rastos de aves
No céu afogadas
Que seguem o sol
Até ao suicídio
Renascem do nada
Na aguarela das cores
Em morte transmutada
Renovação de tudo.
manuel feliciano
E folhas amarelas
E luas donzelas
Que me ateiam o fogo
E animais de fumo
Cavalgam sem rumo
No ventre da chuva
Esventram-me o céu
De incenso e mirra
E há vozes acesas
Nas rugas das folhas
Que ainda estão verdes
E sabem a frutos
E beijos esquartejados
No chão semeados
Sangrando ternura
E rastos de aves
No céu afogadas
Que seguem o sol
Até ao suicídio
Renascem do nada
Na aguarela das cores
Em morte transmutada
Renovação de tudo.
manuel feliciano
Ao sol
Ao sol
És a jangada amarela
No céu navegando à deriva
Sou o pão quente dos povos
Morrendo em bocas famintas
Vencendo o mar negro da morte
Em portas trancadas nos rostos
Sou a noite quando calo
Sou o dia quando grito
A luz em homens nado – mortos
Nascendo em olhares – diafragmas
Sou o bálsamo em vozes – feridas
Cavalo correndo no prado
Sou homem não algemado
A mãos frias – puras gangrenas
Sou o sol que nunca viste
Sou a luz te desfolhando
Em doces lábios – poemas.
Manuel Feliciano
És a jangada amarela
No céu navegando à deriva
Sou o pão quente dos povos
Morrendo em bocas famintas
Vencendo o mar negro da morte
Em portas trancadas nos rostos
Sou a noite quando calo
Sou o dia quando grito
A luz em homens nado – mortos
Nascendo em olhares – diafragmas
Sou o bálsamo em vozes – feridas
Cavalo correndo no prado
Sou homem não algemado
A mãos frias – puras gangrenas
Sou o sol que nunca viste
Sou a luz te desfolhando
Em doces lábios – poemas.
Manuel Feliciano
Biografia
Biografia
Sou
Filho do sol e lua
O tempo é minha cama
Tempo sem lençóis
Sou
Da índole do vento
Esculpindo nos dedos
Fúrias de leões
Sou
Terra indomada
Passos sem pisadas
Ginete de nuvens
Sou
Nervura de água
Alcatrão da estrada
Pedras gemendo sóis
Sou
Mágoa desfeita em chuva
Em feridas agravadas
Por entre vendavais
Sou
Deserto feito prado
Ferro abandonado
Convertido em homem
Sou
Lança dessa guerra
Liquida na terra
Germinando flores
Sou
Inferno que queima
Nessas mãos sem nada
Nessas mãos sem dedos
Sou
Paraíso em chama
Daqueles que só têm
Dedos em migalhas.
Manuel Feliciano
Sou
Filho do sol e lua
O tempo é minha cama
Tempo sem lençóis
Sou
Da índole do vento
Esculpindo nos dedos
Fúrias de leões
Sou
Terra indomada
Passos sem pisadas
Ginete de nuvens
Sou
Nervura de água
Alcatrão da estrada
Pedras gemendo sóis
Sou
Mágoa desfeita em chuva
Em feridas agravadas
Por entre vendavais
Sou
Deserto feito prado
Ferro abandonado
Convertido em homem
Sou
Lança dessa guerra
Liquida na terra
Germinando flores
Sou
Inferno que queima
Nessas mãos sem nada
Nessas mãos sem dedos
Sou
Paraíso em chama
Daqueles que só têm
Dedos em migalhas.
Manuel Feliciano
Ao tempo
Ao tempo
Sou horas sem dias
Sou dias sem horas
Ponteiros quebrados
Por entres alquimias
Os dedos da chuva
Suturando feridas
Na derme da terra
Sou feto que nasce
Em forma de sol
No útero da lua
Sou o fogo-fátuo
Para além da morte
Vestindo a noite
Sem mãos corroídas
Não sou fumo de cigarros
Por entre mãos frias
Moinhos que esperam
Através das lágrimas
Devastar o milho
De rostos tão puros
Não sou a estação
De homens que chegam
Carregados de nada
Como peixes atados
Às redes do tempo
Sou tempo sem tempo
Calando a fome
Em bocas – ruínas.
Manuel feliciano
Sou horas sem dias
Sou dias sem horas
Ponteiros quebrados
Por entres alquimias
Os dedos da chuva
Suturando feridas
Na derme da terra
Sou feto que nasce
Em forma de sol
No útero da lua
Sou o fogo-fátuo
Para além da morte
Vestindo a noite
Sem mãos corroídas
Não sou fumo de cigarros
Por entre mãos frias
Moinhos que esperam
Através das lágrimas
Devastar o milho
De rostos tão puros
Não sou a estação
De homens que chegam
Carregados de nada
Como peixes atados
Às redes do tempo
Sou tempo sem tempo
Calando a fome
Em bocas – ruínas.
Manuel feliciano
6.14.2009
6.13.2009
6.03.2009
Fora de nós mesmos
Fora de nós mesmos
Sentemo-nos nos calhaus da tristeza
Sem folhas secas nos olhos
E espigas cortadas nos dedos
Beijemos a ferida como se fosse a rosa
Que os nossos sentimentos pastem
Como cordeiros fora de nós mesmos
Quando nas ruas de Jerusalém o sol desmaie
Olhemos para trás sem o depois
Descabelando nossas mãos ao sol
Sem pontos de interrogação desfigurando
Faces de homens visivelmente alegres
Que um rio de pedra ainda verta água
Nas vértebras do silêncio que nos deram
Que a pedra seja carne correndo na fonte
Que o ópio alimente barcos vergados de carga
E se primaveras morrerem em nossas pálpebras
Pensemos sem dor que somos de algum berço.
Manuel Feliciano
Sentemo-nos nos calhaus da tristeza
Sem folhas secas nos olhos
E espigas cortadas nos dedos
Beijemos a ferida como se fosse a rosa
Que os nossos sentimentos pastem
Como cordeiros fora de nós mesmos
Quando nas ruas de Jerusalém o sol desmaie
Olhemos para trás sem o depois
Descabelando nossas mãos ao sol
Sem pontos de interrogação desfigurando
Faces de homens visivelmente alegres
Que um rio de pedra ainda verta água
Nas vértebras do silêncio que nos deram
Que a pedra seja carne correndo na fonte
Que o ópio alimente barcos vergados de carga
E se primaveras morrerem em nossas pálpebras
Pensemos sem dor que somos de algum berço.
Manuel Feliciano
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