7.25.2023
Porto
10.14.2022
8.06.2022
6.15.2022
Procuro a razão nas coisas
Procuro a razão nas coisas
Nas coisas que razão não têm
E ao tentar ir à razão das coisas
As coisas perdem-se também
O sol diz tudo
O tudo que nada tem
Mas há sempre algo do nada
E o nada é algo também
Contento-me com o sol e o frio
Das raízes das árvores, só vislumbro as
folhas, e a sombra num dia de sol
Bastam-me as palavras sem significado
Aquelas que são belas sem terem razão
Para serem belas, as coisas sem serem
Coisas algumas.
Manuel Luís Feliciano
6.01.2022
5.27.2022
Sonho o dia
Em que eu seja leve e inteiro
E que o facto de ser
De andar
Agir
E de observar o mundo
Seja já um poema
Sem nenhum peso
Pesa-me pensar o mundo
E não saber o que é o mundo
De ser animal
Que tenta matar as frases
De sol de cardos
Que afligem
para seguir em frente
Frágil e inconstante
Dor de cada dor
De não puder dar luz aos teus olhos
De madre pérola
Lágrima de cada lágrima
Ilógico e irracional
Da natureza da brisa
Que não se ocupa em ficar fechada
Porque é na alma que a carne dói
Que a razão se dissolve num sorriso
Ou grito
Nada é mais lógico que o mar a gemer nas pedras
Que uma nuvem inteira a desfazer-se em chuva.
Manuel Luís Feliciano