8.22.2023

 Eu nao sou normal

Porque os normais nao tem crises

Assumem a realidade como uma gaiola 

E cantam como passaros felizes.


Manuel Luis Feliciano 


 Nao mates o poema 

O poema é um corpo inteiro 

Um corpo de luz 

Igual ao de uma mulher 

O poema nao foi feito para o recortares

Nao foi feito para jogos de retorica 

Nem cabe ao professor 

Ser médico de adjectivos e verbos 

Porque quando o recortas 

o poema 

Deixa de ser poema para ser medicina 

O Poema morre

O poema deixa de respirar 

O poema Deixa de ser poema

O importante é a vibraÇao da sua luz 

E nao os seus ossos.




Manuel Luis Feliciano 

 A liberdade 

Nao é ter asas e voar

Nao é desprender-se 

E atingir o infinito 

Ir às nuvens 

É o homem 

Na sua limitada forma de ser

saber prender-se 

a qualquer coisa

E essa coisa que o prende

Dar-lhe todas as asas.


Manuel Luís Feliciano 

8.09.2023

 Agora 

Nesta estrada 

In significante 

Sem chão 

E bermas 

Inauguremos

O que resta dos muros 

O amor 

O Som

Na Brisa dos braços

Sem retorno.


Manuel Luís Feliciano 

8.06.2023

 Quando tu chegas,

a luz transborda pelo silêncio das pálpebras
as estrelas abrem-se e cintiliam
só tu estrela incandescente
no mrmúrio da pele
sem mais tempo e noite
no rumor do corpo
o céu que é alto
toca-se e beija-se
no mar que é tão fundo
borbulham os lábios
Límpidos de ervas e orvalho
os dedos
as silvas
e os frutos
Os deuses não mais
matam
adormecem
a cada pulsar de enxada
Semeando gritos de uvas nas fendas!


Manuel Felician

8.01.2023

 Se vires uma flor não a cortes

Aprecia-a 

Dá-lhe  um beijo

Sem a tocares

E depois despede-te 

Sê grato

Não a leves contigo

Senão no coração 

Não olhes para trás 

Não faças mal a ti mesmo 

Nem à flor.


Manuel Luís Feliciano 




 O Outro

Eu mesmo 

Espelho meu 

E dos outros 

Fantasma?

Consciência de tudo

E de nada 

Ah como eu queria fumar  um cigarro 

De tragos a crepúsculos 

Como era bom esquecer 

Que ao lado direito do banco 

O pendura me acompanha

Fuga do caminho

Medo existir ?

Eu só queria 

Que se eu pudesse escolher 

Escolheria 

Ser bom e honesto

Ser claro como as águas 

Não dar dano às flores

Às ervas 

E aos animais

E agora vou chorar...

Como me doi os olhos dos gatos 

E os cães chagados.

E esse peso de que eles sou eu.



Manuel Luís Feliciano 

7.31.2023

Para a Deusa do Universo

 Para a Deusa do Universo


Amo o teu sussurro 

Como o raiar do sol

Porque o teu sussurro é leve

Transparente 

Um caminho inteiro 

Onde bebo das tuas flores 

A vaga das andorinhas 

Sem o amanhã

Os dias que findam

Entre os teus olhos 

Densos de amor e luz

Há pétalas caídas

A retomarem a flor

E as nossas bocas embarcações

De novos mundos .


Para a minha querida e doce  Deusa 

Rubiana Silva

Poema à Isabel

 A Isabel  tem um cheirinho a  Jasmins

Da frescura de aromas naturais

De sussurros dos anjos e querubins

De azuis de beijos  a quebrar os  areais.


Manuel Luís Feliciano 




7.25.2023

Porto

Fotografei o teu
O nosso
O de todos 
O de ninguém 
Porto do mundo
O de cada braço de amor 
De rio
De azul de mar 
De sonho 
E maresia em cada beijo 
Os que se dão 
E os que se escapam 
Pelas aberturas da ponte 
Os possíveis 
E impossíveis 
Todos os que são suspeitos
Envergonhados 
Preconceituosos 
Os que seguem 
Os cânones dos 
Sem direto a beijos
Os que se dão com os olhos 
Na ausência dos lábios.

Manuel Feliciano