Eu nao sou normal
Porque os normais nao tem crises
Assumem a realidade como uma gaiola
E cantam como passaros felizes.
Manuel Luis Feliciano
Nao mates o poema
O poema é um corpo inteiro
Um corpo de luz
Igual ao de uma mulher
O poema nao foi feito para o recortares
Nao foi feito para jogos de retorica
Nem cabe ao professor
Ser médico de adjectivos e verbos
Porque quando o recortas
o poema
Deixa de ser poema para ser medicina
O Poema morre
O poema deixa de respirar
O poema Deixa de ser poema
O importante é a vibraÇao da sua luz
E nao os seus ossos.
Manuel Luis Feliciano
Quando tu chegas,
a luz transborda pelo silêncio das pálpebrasO Outro
Eu mesmo
Espelho meu
E dos outros
Fantasma?
Consciência de tudo
E de nada
Ah como eu queria fumar um cigarro
De tragos a crepúsculos
Como era bom esquecer
Que ao lado direito do banco
O pendura me acompanha
Fuga do caminho
Medo existir ?
Eu só queria
Que se eu pudesse escolher
Escolheria
Ser bom e honesto
Ser claro como as águas
Não dar dano às flores
Às ervas
E aos animais
E agora vou chorar...
Como me doi os olhos dos gatos
E os cães chagados.
E esse peso de que eles sou eu.
Manuel Luís Feliciano
Para a Deusa do Universo
Amo o teu sussurro
Como o raiar do sol
Porque o teu sussurro é leve
Transparente
Um caminho inteiro
Onde bebo das tuas flores
A vaga das andorinhas
Sem o amanhã
Os dias que findam
Entre os teus olhos
Densos de amor e luz
Há pétalas caídas
A retomarem a flor
E as nossas bocas embarcações
De novos mundos .
Para a minha querida e doce Deusa
Rubiana Silva
A Isabel tem um cheirinho a Jasmins
Da frescura de aromas naturais
De sussurros dos anjos e querubins
De azuis de beijos a quebrar os areais.
Manuel Luís Feliciano