9.22.2023

 Ninguém nos habita senão nós mesmos.



Manuel Luís Feliciano 

 É difícil ficar na fronteira do teu muro

Não conseguir entrar por inteiro no teu jardim

Saber que dentro dos teus olhos há um espaço 

Que eu  só posso percorrer do lado de fora

Saber que tua mão que aquece a minha mão 

É uma  luz  única, inseparável,  não se divide

O que te vejo por dentro, é a torrente de um beijo

O que me fazes sonhar, no universo que é só teu

São os teus olhos que levam para dentro de ti

E me deixam do lado de fora admirar o teu 

fogo.


Manuel Luís Feliciano

8.27.2023

  O sol afinal 

A luz que não teme

 fera do cálculo 

O brilho da espada 

As mãos acorrentadas

A porta

Escancarada do teu rosto

A silhueta

Do movimento do beijo

A verdade

Do fogo

A afogar-se no mar

A saliva de uma manhã

Sobre uma flor

O que resta 

Dos ombros em brasa

A voz que ainda arde

As tuas pálpebras entrecolhidas 

A dissolução do escuro 

O crepúsculo do bulício dos lábios

 da sombra de um barco no mar.

Manuel Luís Feliciano


 Como eu queria fechar a porta 

E sair à rua leve 

Com a certeza de que dentro da casa

Não ficam senão paredes

E se alguém houver 

Que seja amor, luz e vida permanente

E do lado de fora

Espaço do céu 

Que nada pese

O exterior seja livre, puro e limpo.


Manuel Luís Feliciano

8.25.2023

 Vida 

Torrente  de água

Na cauda de um navio

Floresta que arde 

Em espuma

Mil e uma voz 

A salvar-se 

No azul do mar profundo

Finitude

Flor a quebrar-se

Na proa 

Clarão  que ilumina

O nosso beijo

Desancorado 

O amor todo por nascer

Flor a reerguer-se 

Entre outras flores

Infinitude

Floresta de sombras.



Manuel Luís Feliciano

8.22.2023

 Eu nao sou normal

Porque os normais nao tem crises

Assumem a realidade como uma gaiola 

E cantam como passaros felizes.


Manuel Luis Feliciano 


 Nao mates o poema 

O poema é um corpo inteiro 

Um corpo de luz 

Igual ao de uma mulher 

O poema nao foi feito para o recortares

Nao foi feito para jogos de retorica 

Nem cabe ao professor 

Ser médico de adjectivos e verbos 

Porque quando o recortas 

o poema 

Deixa de ser poema para ser medicina 

O Poema morre

O poema deixa de respirar 

O poema Deixa de ser poema

O importante é a vibraÇao da sua luz 

E nao os seus ossos.




Manuel Luis Feliciano 

 A liberdade 

Nao é ter asas e voar

Nao é desprender-se 

E atingir o infinito 

Ir às nuvens 

É o homem 

Na sua limitada forma de ser

saber prender-se 

a qualquer coisa

E essa coisa que o prende

Dar-lhe todas as asas.


Manuel Luís Feliciano 

8.09.2023

 Agora 

Nesta estrada 

In significante 

Sem chão 

E bermas 

Inauguremos

O que resta dos muros 

O amor 

O Som

Na Brisa dos braços

Sem retorno.


Manuel Luís Feliciano 

8.06.2023

 Quando tu chegas,

a luz transborda pelo silêncio das pálpebras
as estrelas abrem-se e cintiliam
só tu estrela incandescente
no mrmúrio da pele
sem mais tempo e noite
no rumor do corpo
o céu que é alto
toca-se e beija-se
no mar que é tão fundo
borbulham os lábios
Límpidos de ervas e orvalho
os dedos
as silvas
e os frutos
Os deuses não mais
matam
adormecem
a cada pulsar de enxada
Semeando gritos de uvas nas fendas!


Manuel Felician