6.27.2008

À mãe Rosa

És a casa cheia de sol
A escorrer
Nos ninhos sobre os beirais
O refugio das dores
As flores sobre o altar
Onde medito teu nome de Rosa
Como se um Deus se abra em teu leito
Para te celebrar
És a origem da terra
Só há terra porque és mãe
Sem ti a montanha não se erigia aos céus
E os oceanos morrer-te-iam no colo
Porque tu és todas as coisas enlaçadas
Coisas que só existem porque tu és
Parte de mim
Origem de todas as coisas.


Autoria: Manuel Feliciano

5.30.2008

Sinopse do terceiro livro "Uma flor ao luar"

Uma flor ao luar aborda a natureza do homem e a sua condição humana. É este homem que nasce cheio de inteligência e poder, que paralisa perante os códigos da natureza, quando a olha e a tenta decifrar.
É nesta ânsia de a querer decifrar, que o poeta constrói e desconstroi alguns dos seus cânones, afinal o que é que nos difere de todas estas coisas? O sonho supostamente.
É este homem, demasiado preso ao corpo, à terra, e a toda a sua condição humana, que se tenta desdobrar na tentativa de quebrar o ritmo lento da vida e das coisas.
A terra que surge nestes poemas é imóvel. O poeta transcende-se para vencer os dias sem ritmo. A viagem é uma forma de escape para outros lugares, onde o poeta possa sentir-se terra não imóvel. Há uma negação óbvia dos elementos terrestres, afinal como se estas coisas não existissem, sem nunca descurar, aqui e acolá com uma pitada de ironia, as vicissitudes do próprio homem.
Manuel Feliciano

5.24.2008

Preciso de um agente

Olá caros amigos!

Na necessidade de ver a minha poesia divulgada, gostaria muito de conhecer um agente nesta área, se conhecerem alguém com conhecimentos dentro destes meandros, gostaria que me contactassem para: manuel.feliciano@sapo.pt

5.08.2008

Sinópse do segundo livro "palavras em guerra"

Palavras em guerra fala de uma humanidade quase impossível, de um homem voltado de si para si mesmo, numa sociedade que se diz inteligente, em que muitos afirmam ser filhos de Deus, mas que não revelam em si mesmos, qualquer crença ou inteligência sensível.
São aqueles que vão à missa que abandonam os cães pela estrada, ou que dão restos de comida a Lázaro.
Por isso, “palavras em guerra” é uma seta apontada para aqueles que criaram um mundo e um Deus à medida do próprio egoísmo humano, mas que continuam cegos.
Digo, cegos para admirarem os cães que lambem as feridas dos doentes e abandonados, e perceberem que em cada coisa existe uma essência, e que Deus não se restringe a estes homens, que muitas vezes são meros animais.
São estes homens que criticam a prostitua, e que não maior parte das vezes são tão leves como vento, leves para medirem o seu coração.
É nesta sociedade escrava de um prazer, que eu acredito, que seria possível nascer-lhe uma rosa sobre a rocha, a rocha da escravidão da vaidade e do orgulho.


Manuel Luís Feliciano

4.15.2008

Prefácio do segundo livro

A Ferida e a Guerra


Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
[…]
Luiza Neto Jorge[1]

O segundo livro de Manuel Feliciano assume-se como o palco de uma guerra inusitada: uma guerra entre palavras. Neste sentido, o título Palavras em Guerra, não sendo, como muitas vezes acontece, gratuito, possibilita a constituição de algumas linhas de leitura. “Possibilita”, somente, porque na verdade não há fórmulas para compreender a poesia, nem, aliás, para compreender a vida. Como o poeta nos diz, «[a] fórmula química / envenena a flor»[2].
[1] Luiza Neto Jorge, “O Poema”, Terra Imóvel.
[2] Poema “O poema”.

O preço do livro"pedaços de gente em mim"

Boa Tarde

Informo que em Reunião do Executivo Camarário, realizada hoje, foi aprovado o preço do livro de que V. Ex.ª é autor.
Assim o valor do livro será de 5,00 €

Cordialmente

AnabelaCoelho

4.14.2008

1 de Maio feira do livro

Vou estar dia 1 de Maio na feira do livro pelas 17:00h, que se irá realizar no posto de turismo em Resende, para quem quiser levar o livro autografado.

poema de Luis azevedo

Aqui é onde eu estou
Eu estou sempre aqui onde me vês
Esta casa, esta cara, estas coisas cansam
porque aqui cansa
aqui dá sede de ir, sede de ali
porque ali é o lugar onde jamais poderei estar
onde sou impossível
vá onde for, ali onde eu chegar será aqui
e estarei esperando a mim próprio com um ramo de rosas na mão
aí és tu aqui
aí parece um grito porque é onde me dói
eu quero estar aí, onde tu estás
tu aqui, ou melhor nós dois ali, remotos, juntos
porque vivemos juntos
aí há o amor que não há aqui
estas coisas tocadas pelas tuas mãos
o que tu pensas, dizes, calas, sonhas
esses lugares onde tu estás sem mim
esse desejo, essa necessidade!
Ali é a salvação
o espelhismo nascido da sede
de estar aqui...
Ali sim seremos felizes!
Onde tu aqui e eu ali estaríamos juntos.
Não há palavras que descrevam ali
As palavras são estas, não aquelas.
Eu estou aqui, tu aí e lá o nosso quando.
Isto é pedra, isso é seda, aquilo é mar
Aqui é chorar o impossível, o odiado domicílio, carência de cada dia
Aí o calor de ti, tua minha vida, tesouro da tua ilha, ar de amor
Ali, onde não estamos chove sobre a vida
que nunca será nossa e me aguarda.


De Luís Azevedo

Pelos velhos tempos que partilhamos em Lisboa