8.01.2023

 Se vires uma flor não a cortes

Aprecia-a 

Dá-lhe  um beijo

Sem a tocares

E depois despede-te 

Sê grato

Não a leves contigo

Senão no coração 

Não olhes para trás 

Não faças mal a ti mesmo 

Nem à flor.


Manuel Luís Feliciano 




 O Outro

Eu mesmo 

Espelho meu 

E dos outros 

Fantasma?

Consciência de tudo

E de nada 

Ah como eu queria fumar  um cigarro 

De tragos a crepúsculos 

Como era bom esquecer 

Que ao lado direito do banco 

O pendura me acompanha

Fuga do caminho

Medo existir ?

Eu só queria 

Que se eu pudesse escolher 

Escolheria 

Ser bom e honesto

Ser claro como as águas 

Não dar dano às flores

Às ervas 

E aos animais

E agora vou chorar...

Como me doi os olhos dos gatos 

E os cães chagados.

E esse peso de que eles sou eu.



Manuel Luís Feliciano 

7.31.2023

Para a Deusa do Universo

 Para a Deusa do Universo


Amo o teu sussurro 

Como o raiar do sol

Porque o teu sussurro é leve

Transparente 

Um caminho inteiro 

Onde bebo das tuas flores 

A vaga das andorinhas 

Sem o amanhã

Os dias que findam

Entre os teus olhos 

Densos de amor e luz

Há pétalas caídas

A retomarem a flor

E as nossas bocas embarcações

De novos mundos .


Para a minha querida e doce  Deusa 

Rubiana Silva

Poema à Isabel

 A Isabel  tem um cheirinho a  Jasmins

Da frescura de aromas naturais

De sussurros dos anjos e querubins

De azuis de beijos  a quebrar os  areais.


Manuel Luís Feliciano 




7.25.2023

Porto

Fotografei o teu
O nosso
O de todos 
O de ninguém 
Porto do mundo
O de cada braço de amor 
De rio
De azul de mar 
De sonho 
E maresia em cada beijo 
Os que se dão 
E os que se escapam 
Pelas aberturas da ponte 
Os possíveis 
E impossíveis 
Todos os que são suspeitos
Envergonhados 
Preconceituosos 
Os que seguem 
Os cânones dos 
Sem direto a beijos
Os que se dão com os olhos 
Na ausência dos lábios.

Manuel Feliciano

10.14.2022

 Dentro das rosas o amor 

O sol dentro das rosas também 

O céu a desfazer-se em pétalas 

Sussurros entre a minha boca e a tua

O orvalho a chorar doçura

Deslizo-te em cristais de chuva 

Por entre o teu pólen sou tremura

Gemo-te de amor também.


Manuel Luís Feliciano

8.06.2022

 Amo cada folha de árvore

Sem a precisão do esquadro

Sem as verdades que as obrigue a dizer os seus nomes

Com a leveza das ruas que não nos levam 

A nenhum lugar

Sem a vertigem do beijo em carne das coisas

Sem a dureza de ir ao fundo do amor.


Manuel Luís Feliciano

6.15.2022

Procuro a razão nas coisas



Procuro a razão nas coisas

Nas coisas que razão não têm

E ao tentar ir à razão das coisas

As coisas perdem-se também 

O sol diz tudo

O tudo que nada tem

Mas há sempre algo do nada

E o nada é algo também

Contento-me com o sol e o frio

Das raízes das árvores, só vislumbro as 

folhas, e a sombra num dia de sol

Bastam-me as palavras sem significado

Aquelas que são belas sem terem razão 

Para serem belas, as coisas sem serem 

Coisas algumas.




Manuel Luís Feliciano

6.01.2022

 Um homem entre as coisas da vida

De coração ora leve

De coração ora pesado

Tem tanto  de pecado seu 

Como o mundo de pecado


Manuel Luís Feliciano


5.27.2022

 Sonho o dia

Em que eu seja leve e inteiro

E  que o facto de ser

De andar 

Agir

E de observar o mundo 

Seja já um poema

Sem nenhum peso

Pesa-me pensar o mundo

E não saber o que é o mundo

De ser animal  

Que tenta matar as frases

De sol de cardos

Que afligem

 para seguir em frente

Frágil e inconstante 

Dor de cada dor 

De não puder dar luz aos teus olhos

De madre pérola

Lágrima de cada lágrima 

Ilógico e irracional 

Da natureza da brisa 

Que não se ocupa em ficar fechada 

Porque é na alma que a carne dói

Que a razão se dissolve num sorriso 

Ou grito

Nada é mais lógico que o mar a gemer nas pedras

Que uma nuvem inteira a desfazer-se em chuva.

Manuel Luís Feliciano