3.26.2019
Menina Índia
Menina Índia
Cheirinho a canela
Cabelos - veredas
De amoras silvestres
Os teus pés pão da terra
Eu desço pelos teus olhos
Da selva aos lagos
Eu subo pela tua voz
Do chão às árvores
Eu bebo do teu sol
Água que cresta o meu pó
De ti ao céu
Sou brisa no teu sorriso
Rio na tua lágrima
No cantinho do teu olho
Onde me abrigo da chuva
Semente em gestação
Eu não te vendo
Eu não te compro
Eu não te planto
E se não tens voz
Meus joelhos em ferida
Tu és canção do vento a assobiar
Flor sem dono
És terra da terra
Terra sem ferida
Voz que aquece o sol
Voz que vai e vem
Sol que não se prende
Sol que é de ninguém
Eu não te vendo
Eu não te compro
Menina Brasil
Tu és do azul do céu
Do azul sem guerra
Do azul do mar.
Manuel Luís Felíciano
É neste silêncio tão de árvore
De cinza
Que os teus braços contra
o meu peito
de nuvem mordida
de chuva
semeiam as primeiras folhas
E o teu fogo entra na raiz
E na saliva que corre
O céu é inteiro
O teu corpo quente
E as aves, que se foram
parem-me a luz
a tua brisa
E as amexas rosas dos teus lábios
O teu nome
Escorre-me pela garganta
Desagua pela tua
Cintura
vem-me o cheiro
Do teu ventre
E a tua mão a nascer na minha
Os teus cabelos
ainda florescem
E chamam as abelhas
Tenras
Às flores com que te trago
Neste silêncio.
Manuel Feliciano
De cinza
Que os teus braços contra
o meu peito
de nuvem mordida
de chuva
semeiam as primeiras folhas
E o teu fogo entra na raiz
E na saliva que corre
O céu é inteiro
O teu corpo quente
E as aves, que se foram
parem-me a luz
a tua brisa
E as amexas rosas dos teus lábios
O teu nome
Escorre-me pela garganta
Desagua pela tua
Cintura
vem-me o cheiro
Do teu ventre
E a tua mão a nascer na minha
Os teus cabelos
ainda florescem
E chamam as abelhas
Tenras
Às flores com que te trago
Neste silêncio.
Manuel Feliciano
A terra não é mulher
Mulher é fruto de palavras claras
Que habitam o corpo
Quando o corpo anoitece
E não lhe habitam estrelas
Embora na pele lhe nasça trigo
E nas rubras flores os lábios
E nas gotas de orvalho as lágrimas
Na noite tuas pálpebras fechadas
E na luz da manhã teus olhos em flor
A terra não é mulher
Mulher é trigo fora desse trigo de sol e vento
O rosto e o colo que a terra não conhece
A alma que afaga o corpo tão lasso
Que desmaia ao iniciar da lua
É o sabor e o cheiro das flores em beijo
As pálpebras que a terra nunca teve
De olhos interiormente iluminados
As sílabas que a terra não sabe dizer
Onde os rios nascem e há crianças ao sol!
Manuel Feliciano
Mulher é fruto de palavras claras
Que habitam o corpo
Quando o corpo anoitece
E não lhe habitam estrelas
Embora na pele lhe nasça trigo
E nas rubras flores os lábios
E nas gotas de orvalho as lágrimas
Na noite tuas pálpebras fechadas
E na luz da manhã teus olhos em flor
A terra não é mulher
Mulher é trigo fora desse trigo de sol e vento
O rosto e o colo que a terra não conhece
A alma que afaga o corpo tão lasso
Que desmaia ao iniciar da lua
É o sabor e o cheiro das flores em beijo
As pálpebras que a terra nunca teve
De olhos interiormente iluminados
As sílabas que a terra não sabe dizer
Onde os rios nascem e há crianças ao sol!
Manuel Feliciano
Sei que és amor aquela que tu não és
pérfida vagueando duvidosa
mas porém assente de cabeça e pés
de tua alma firme crente e luminosa
Espero-te onde nunca te encontro
na vasta montanha faz eco uma voz
quando ouço o vento do teu corpo
abraço-te dançando e sorrindo a sós
desaconchego aconchegado de amor
sentindo-me alto ajoelhado na praia
bebendo o espelho da tua voz
aquecendo-me no frio com todo o fervor
molhado de sangue em rosas de areia
o teu corpo que é mundo e não é, só esplendor!
Manuel Luís Feliciano
pérfida vagueando duvidosa
mas porém assente de cabeça e pés
de tua alma firme crente e luminosa
Espero-te onde nunca te encontro
na vasta montanha faz eco uma voz
quando ouço o vento do teu corpo
abraço-te dançando e sorrindo a sós
desaconchego aconchegado de amor
sentindo-me alto ajoelhado na praia
bebendo o espelho da tua voz
aquecendo-me no frio com todo o fervor
molhado de sangue em rosas de areia
o teu corpo que é mundo e não é, só esplendor!
Manuel Luís Feliciano
O meu país
Não é aquele que me contaram
De céu e mar circunscritos
Não existe
É lá fora
Não é o dos reis e da história
Dos vencedores e dos vencidos
Dos exploradores e dos explorados
Senão o dos teus braços de ar e fogo longínquos
Sim é este o meu país
A minha pátria abençoada
Da geografia do teu olhar
Das escarpas dos teus seios
Das águas corredias dos teus cabelos
Que descem
Pelas tuas costas
até ao por do sol das tuas ancas
Do deus que me acolhe
Ante os teus suspiros
De libelinhas a tocar as águas
Eis que se desenha um país
Uma língua estrangeira
Uma flor de orvalho
De uma Patria a nascer.
Manuel Feliciano
Não é aquele que me contaram
De céu e mar circunscritos
Não existe
É lá fora
Não é o dos reis e da história
Dos vencedores e dos vencidos
Dos exploradores e dos explorados
Senão o dos teus braços de ar e fogo longínquos
Sim é este o meu país
A minha pátria abençoada
Da geografia do teu olhar
Das escarpas dos teus seios
Das águas corredias dos teus cabelos
Que descem
Pelas tuas costas
até ao por do sol das tuas ancas
Do deus que me acolhe
Ante os teus suspiros
De libelinhas a tocar as águas
Eis que se desenha um país
Uma língua estrangeira
Uma flor de orvalho
De uma Patria a nascer.
Manuel Feliciano
Mulher tu nasceste
e trouxeste contigo o jardim
Perdido
A ave semeada na boca
O mar a transbordar nos braços
O escuro
O escuro não o trouxeste
Mãe
Amor
Pedra de água que sabe a colo
E a açucena
Ah como dói o sol
E as nuvens
e trouxeste contigo o jardim
Perdido
A ave semeada na boca
O mar a transbordar nos braços
O escuro
O escuro não o trouxeste
Mãe
Amor
Pedra de água que sabe a colo
E a açucena
Ah como dói o sol
E as nuvens
Nas tuas mãos frescas
Cheiro a Selva
Cheiro a Selva
Macchu- Picchu
Veredas de pedras
O sol dos Inkas
Explosão de amor
Explosão de amor
Corrente de água
Os teus braços compridos
A minha face vazia
Na planura da boca
E o mar sempre à volta
Os teus braços compridos
A minha face vazia
Na planura da boca
E o mar sempre à volta
No mar do Pacífico
Os Barcos despidos
Um cais de ternura
Nestes olhos rasos
À vela do teu hálito!
Os Barcos despidos
Um cais de ternura
Nestes olhos rasos
À vela do teu hálito!
Amor, eu não quero beber-te
Nem das tuas paisagens
Nem das tuas paisagens
O canto dos condores
O mundo resume-se a ti
Tu vieste para ficar[…]
Tu és o mundo e a escuridão
Que nada pode contra a tua carne fresca!
Porque Tu és a mãe
E o fogo
Que gera o lugar…
Leva-me ao teu colo
O mundo resume-se a ti
Tu vieste para ficar[…]
Tu és o mundo e a escuridão
Que nada pode contra a tua carne fresca!
Porque Tu és a mãe
E o fogo
Que gera o lugar…
Leva-me ao teu colo
Quero adormecer
Pelas encostas da tua brisa
De trigo quente e dourado
E os pássaros partindo e voltando!
Manuel Feliciano
Pelas encostas da tua brisa
De trigo quente e dourado
E os pássaros partindo e voltando!
Manuel Feliciano
Não sei quem sou
Procuro-me nas ruas do teu olhar
E ao querer saber dos meus olhos
Tu és já um rio nas pálpebras que me sangram
No coração
E eu areias e deserto
Corro-te no sangue
E não sei do meu
Chamo-te
E não me sei chamar
Sou centelha que não sabe arder
Ouço-te
E não me sei ouvir
Vejo-te
E não me sei ver
Queria poder agarrar palavra por palavra no silêncio da tua boca
E construir-me de ti
Para deixar de não ser
Porque eu sou nada
Sou como um sol
Não próprio
Fundura onde os teus cabelos não chegam
No crepúsculo dos teus seios
Que não conhece a noite
Durmo-te
E não me sei dormir
Porque há fendas abertas ao luar, onde as mãos não entram
Vivo-te
E não me sei viver
Espero-te
E não me sei esperar
Abraço-te
E não me sei abraçar
Porque há medos de rosas
A desvirginar
E os meus passos ficam sem chão
No rubor de folhas menstruadas
Não encontro as mãos e os pés, caminho-te
E não me sei caminhar
E o que sou é qualquer coisa
Que não encontro dentro de mim
Saliva no ventre de uma manhã a desbravar o tempo
A margem de um abraço
Que não te sabe morrer
Como a terra a doar-se à chuva
Uma criança ao teu colo
E a tua luz a desabrigar-me
Quero-te
E não me sei querer
Amo-te e não me sei amar
Desconheço-me
Creio em ti
E não me sei crer
Por ventura sou uma flor sem nome
Perdida no teu Jardim.
Manuel Feliciano
Procuro-me nas ruas do teu olhar
E ao querer saber dos meus olhos
Tu és já um rio nas pálpebras que me sangram
No coração
E eu areias e deserto
Corro-te no sangue
E não sei do meu
Chamo-te
E não me sei chamar
Sou centelha que não sabe arder
Ouço-te
E não me sei ouvir
Vejo-te
E não me sei ver
Queria poder agarrar palavra por palavra no silêncio da tua boca
E construir-me de ti
Para deixar de não ser
Porque eu sou nada
Sou como um sol
Não próprio
Fundura onde os teus cabelos não chegam
No crepúsculo dos teus seios
Que não conhece a noite
Durmo-te
E não me sei dormir
Porque há fendas abertas ao luar, onde as mãos não entram
Vivo-te
E não me sei viver
Espero-te
E não me sei esperar
Abraço-te
E não me sei abraçar
Porque há medos de rosas
A desvirginar
E os meus passos ficam sem chão
No rubor de folhas menstruadas
Não encontro as mãos e os pés, caminho-te
E não me sei caminhar
E o que sou é qualquer coisa
Que não encontro dentro de mim
Saliva no ventre de uma manhã a desbravar o tempo
A margem de um abraço
Que não te sabe morrer
Como a terra a doar-se à chuva
Uma criança ao teu colo
E a tua luz a desabrigar-me
Quero-te
E não me sei querer
Amo-te e não me sei amar
Desconheço-me
Creio em ti
E não me sei crer
Por ventura sou uma flor sem nome
Perdida no teu Jardim.
Manuel Feliciano
Liberdade
Os meus olhos não têm espaço
São o céu da tua boca
Jardim do teu abraço
No azul da tua cintura
Desejo ser-te o mar
Arder no teu vestido
Por entre algas e sal
Visitar-te o paraíso
Não me faças refém
Do mundo que é e não é
De uma criança que chora
No sussurro de uma maré
Derruba-me os muros
Soldados e combatentes
No laço dos teus lábios
Papoilas choram sementes
Tu despes-me o corpo
Vento que vai e vem
Que não encontra o rumo
E o teu luar conhece bem
As tuas mãos apátridas
Linhas no infinito
Sou estranha criatura
No fogo do teu grito.
Manuel Feliciano
São o céu da tua boca
Jardim do teu abraço
No azul da tua cintura
Desejo ser-te o mar
Arder no teu vestido
Por entre algas e sal
Visitar-te o paraíso
Não me faças refém
Do mundo que é e não é
De uma criança que chora
No sussurro de uma maré
Derruba-me os muros
Soldados e combatentes
No laço dos teus lábios
Papoilas choram sementes
Tu despes-me o corpo
Vento que vai e vem
Que não encontra o rumo
E o teu luar conhece bem
As tuas mãos apátridas
Linhas no infinito
Sou estranha criatura
No fogo do teu grito.
Manuel Feliciano
12.21.2017
Morreu o gato Tico
Morreu o gato Tico
O mundo mata a cada instante tu não! O Gato Tico era um homem honesto dentro de um gato, o gato tico nunca percebeu o porquê de ter que matar um rato, o porquê de um cão não aceitar o seu eu, o Gato Tico entre muitas outras coisas era um literata, escreveu os maiores romances dentro do seu coração, nunca percebeu o porquê de ser um burguês deserdado do mundo, morreu com o olhos abertos e fome de viver, não tinha idade na alma como todo o homem livre e desligado de verdades inalteradas. O gato tico não tinha sequer o prazer de matar borboletas, e teve o maior desgosto de não puder desfazer as leis do mundo, porque os seus olhos estavam sempre verdes como qualquer Deus pronto para renascer. Tinha os mesmos desejos fantasias e tristeza dos homens. Nunca ninguém parou para ver as lágrimas do gato Tico, as suas frases eram mais íntimas que o Silêncio, nunca irei enterrar o gato tico, amou muito mas viveu sempre só, nunca traiu o verdadeiro amor, estava sempre pronto para pedir perdão, e se aconchegar num ombro amigo, sabia abraçar mais do que qualquer homem, voltava sempre à sua casa, não tinha paredes, mas não lhe chovia, era o meu coração. O gato Tico viveu num mundo hipócrita de animais para com animais! O Gato Tico sobreviveu como todos os homens a um mundo cão. O gato Tico sabia que eu o amava sem restrições. O mundo não deixou o gato Tico apresentar-se e ouvir as suas causas. O gato tico era mais nobre do que todos os homens, porque não tinha maldade e não lhe deram galardões, Distribui amor por rosas ervas e crianças. Porque também sou cão e gato árvore pedra e flor e todos os outros animais...O gato Tico nunca traiu e matou como a natureza māe.
Manuel Luis Feliciano
O mundo mata a cada instante tu não! O Gato Tico era um homem honesto dentro de um gato, o gato tico nunca percebeu o porquê de ter que matar um rato, o porquê de um cão não aceitar o seu eu, o Gato Tico entre muitas outras coisas era um literata, escreveu os maiores romances dentro do seu coração, nunca percebeu o porquê de ser um burguês deserdado do mundo, morreu com o olhos abertos e fome de viver, não tinha idade na alma como todo o homem livre e desligado de verdades inalteradas. O gato tico não tinha sequer o prazer de matar borboletas, e teve o maior desgosto de não puder desfazer as leis do mundo, porque os seus olhos estavam sempre verdes como qualquer Deus pronto para renascer. Tinha os mesmos desejos fantasias e tristeza dos homens. Nunca ninguém parou para ver as lágrimas do gato Tico, as suas frases eram mais íntimas que o Silêncio, nunca irei enterrar o gato tico, amou muito mas viveu sempre só, nunca traiu o verdadeiro amor, estava sempre pronto para pedir perdão, e se aconchegar num ombro amigo, sabia abraçar mais do que qualquer homem, voltava sempre à sua casa, não tinha paredes, mas não lhe chovia, era o meu coração. O gato Tico viveu num mundo hipócrita de animais para com animais! O Gato Tico sobreviveu como todos os homens a um mundo cão. O gato Tico sabia que eu o amava sem restrições. O mundo não deixou o gato Tico apresentar-se e ouvir as suas causas. O gato tico era mais nobre do que todos os homens, porque não tinha maldade e não lhe deram galardões, Distribui amor por rosas ervas e crianças. Porque também sou cão e gato árvore pedra e flor e todos os outros animais...O gato Tico nunca traiu e matou como a natureza māe.
Manuel Luis Feliciano
8.23.2016
8.18.2016
Deveria morre-se da janela a ver o mar
O dia ser eu e tu numa tarde que não finda
E o fim do mundo os teus cabelos
A queimar-me os ombros de bichos e flores a nascer
Deveria morre-se de jardim ou rosa
Que nascem na tua boca e não se põem no mar
Na hora silenciosa as tuas mãos tenras
Sílabas que incendeiam as velas rasgadas de barcos
Ouvir-se os teus beijos a crestarem nos meus
As ervas sonolentas a despertarem
O céu desfeito do teu inteiro aroma
Em nossos lábios miseráveis de tempo
Como pão repartido em mãos de crianças
Por entre o ventre de uma mãe a nascer
E o sol uma espada de luz que já não corta.
O dia ser eu e tu numa tarde que não finda
E o fim do mundo os teus cabelos
A queimar-me os ombros de bichos e flores a nascer
Deveria morre-se de jardim ou rosa
Que nascem na tua boca e não se põem no mar
Na hora silenciosa as tuas mãos tenras
Sílabas que incendeiam as velas rasgadas de barcos
Ouvir-se os teus beijos a crestarem nos meus
As ervas sonolentas a despertarem
O céu desfeito do teu inteiro aroma
Em nossos lábios miseráveis de tempo
Como pão repartido em mãos de crianças
Por entre o ventre de uma mãe a nascer
E o sol uma espada de luz que já não corta.
Manuel Feliciano
7.06.2016
4.15.2016
Já me morreram os deuses
A água dos teus cabelos
É de ti que vem a sede
As pedras que trago dentro
Quero saber do teu olhar
É tão seca a minha fonte
Do teu amor a transbordar
Não tens fim és horizonte
Dá-me de novo a rosa
Sem a qual o sol não chora
E os rios não nascem mais
Mão em meu rosto ausente
A tua voz meu cais que dói
Na minha alma mar nascente
Manuel Feliciano
2.17.2015
Diz-me que és mulher
Que tens carne, e lenha que arde na lareira
E o teu tronco inteiro por cortar
Que ateia as raízes, movimenta os ramos
Com o hálito fresco
E grão que se te abre
Que tens boca e azuis de céu
E porventura estrelas
E que dentro de ti há fundura onde me possa abrigar
Que tens carne, e lenha que arde na lareira
E o teu tronco inteiro por cortar
Que ateia as raízes, movimenta os ramos
Com o hálito fresco
E grão que se te abre
Que tens boca e azuis de céu
E porventura estrelas
E que dentro de ti há fundura onde me possa abrigar
Com se em ti não nasça o dia
Como se em ti não se ponha o Sol
Como se em ti os lábios não morram
Como se em ti não se ponha o Sol
Como se em ti os lábios não morram
É por ti que chegou a Primavera à cidade
É por ti que as flores morrem tão depressa
É por ti
Que tens no coração um cotovelo
Que não te deixa debruçar quando as pétalas caem...
Que todos os dias o sol
Dá os beijos que não sabes dar
É por ti que as flores morrem tão depressa
É por ti
Que tens no coração um cotovelo
Que não te deixa debruçar quando as pétalas caem...
Que todos os dias o sol
Dá os beijos que não sabes dar
Conheço-te
Não vale a pena fugires da renda da minha saliva
Que te borda o corpo
Se soubesses o quanto o teu Adeus
É árvore que em mim ganha asas
Na qual deitas o teu corpo à sombra
Fresco de névoa e brisa
E maçã
Que trincas com a tua própria boca
Porque é que ainda me voltas
Nessa voz com que me trazes
Uma mão de sorriso degolada
Deverias saber matar melhor
A mim não, porque em ti eu só te nasço
Em uvas do Douro dentro do teu vale
Da mesma forma que as abelhas
Despem o pólen das flores
E a brisa arranca o Bâton das rosas.
Manuel Feliciano
Não vale a pena fugires da renda da minha saliva
Que te borda o corpo
Se soubesses o quanto o teu Adeus
É árvore que em mim ganha asas
Na qual deitas o teu corpo à sombra
Fresco de névoa e brisa
E maçã
Que trincas com a tua própria boca
Porque é que ainda me voltas
Nessa voz com que me trazes
Uma mão de sorriso degolada
Deverias saber matar melhor
A mim não, porque em ti eu só te nasço
Em uvas do Douro dentro do teu vale
Da mesma forma que as abelhas
Despem o pólen das flores
E a brisa arranca o Bâton das rosas.
Manuel Feliciano
1.30.2015
De ti eu não tive um beijo
O teu lado branco
O teu lado escuro
nem aquele olhar
que movimenta sol
ou gesto de pão
Que volta para o trigo
Só as tuas mãos
pobres num suspiro
O amor sem fundura
a desenhar-me os lábios
sem o pricipício
onde eu te morra
De ti só aquelas flores
Que nunca foram flores
Mas que em mim floriram!
O teu lado branco
O teu lado escuro
nem aquele olhar
que movimenta sol
ou gesto de pão
Que volta para o trigo
Só as tuas mãos
pobres num suspiro
O amor sem fundura
a desenhar-me os lábios
sem o pricipício
onde eu te morra
De ti só aquelas flores
Que nunca foram flores
Mas que em mim floriram!
O que eu queria de ti era estrela e não o céu
O que eu queria de ti era casa e não a porta
O que eu queria de ti era a erva e não o chão
O que eu queria de ti era o mel e não a abelha
O que eu queria de ti era uma mão fechada
Que me abrisse os lábios na curva dos teus joelhos
O que eu queria de ti era uma nuvem cinzenta
Que chovesse quando os teus beijos queimam
O que eu queria de ti era um rélogio
Feito de beijos e abraços a estalarem em girassóis
OS NOSSO OLHOS SEMPRE CRIANÇAS
RECITANDO FLORES NA PELE CARCOMIDA
DE MAÇÃS DESEJANDO FLORES
SEMENTES IMPLORANDO TRONCOS
GEMENDO O PERFUME DE LUARES
DE VELHAS AS NOSSAS MÃOS
AFONGANDO-SE NO MAR
AINDA NOVAS TREMENDO COMO FOLHAS
INCHADAS DE BRISAS QUE NÃO ADIAM
O ESTREMECER DAS PERNAS NAS TUAS PERNAS
NEM SE PÕEM NA NUDEZ FAMINTA DAS BOCAS
QUE MASTIGAM O POR DO SOL
DENTE POR DENTE E SALIVA
SEM O AMANHÃ DE OLHOS QUE SE FECHAM NO INFINITO
O que eu queria de ti era uma campa aberta
Onde eu pudesse dentro de ti NASCER!
Manuel Feliciano
O que eu queria de ti era casa e não a porta
O que eu queria de ti era a erva e não o chão
O que eu queria de ti era o mel e não a abelha
O que eu queria de ti era uma mão fechada
Que me abrisse os lábios na curva dos teus joelhos
O que eu queria de ti era uma nuvem cinzenta
Que chovesse quando os teus beijos queimam
O que eu queria de ti era um rélogio
Feito de beijos e abraços a estalarem em girassóis
OS NOSSO OLHOS SEMPRE CRIANÇAS
RECITANDO FLORES NA PELE CARCOMIDA
DE MAÇÃS DESEJANDO FLORES
SEMENTES IMPLORANDO TRONCOS
GEMENDO O PERFUME DE LUARES
DE VELHAS AS NOSSAS MÃOS
AFONGANDO-SE NO MAR
AINDA NOVAS TREMENDO COMO FOLHAS
INCHADAS DE BRISAS QUE NÃO ADIAM
O ESTREMECER DAS PERNAS NAS TUAS PERNAS
NEM SE PÕEM NA NUDEZ FAMINTA DAS BOCAS
QUE MASTIGAM O POR DO SOL
DENTE POR DENTE E SALIVA
SEM O AMANHÃ DE OLHOS QUE SE FECHAM NO INFINITO
O que eu queria de ti era uma campa aberta
Onde eu pudesse dentro de ti NASCER!
Manuel Feliciano
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