Era uma palavra
Rosa
Vermelha
Aberta
Que nos fechasse em silêncio
Pétalas de saliva
Boca que nos aquecesse
Do frio
Do teu corpo nú
Junto do meu
A cada beijo
Abismo
Mar fundo
O medo
Mistério do escuro
Estrela vanglorial
Que nos abrisse
Os gomos da tua pele
Fogueira
A lavrar
No húmido da tua voz
Nas vagas das tuas costas
O mar tépido
O bulício da vulva
O marejar da cintura
Nas tuas ancas
Mistério do escuro
Arca de Noé
Viagem
Revelação
Pelo solo das tuas mãos
A salvação do mundo
Fuga
Aparição
Adão e Eva
Era uma palavra
Ainda não escrita
Que revelasse o mundo
O estremecer
Dos teus lábios
Carregados de amor
Como bichos
Nas flores.
Manuel Luis Pereira Feliciano
3.12.2020
3.08.2020
Ama
As árvores
Como a ti mesmo
Alma
Flor
Sangue de ti
Bebe do ar fresco
Das folhas
Homem
Mais pequeno que a erva
A terra
Os Pôros
A Pele
Maternidade
Lugar de ninguém
As raizes
Amor que nasce
E aquece a boca
Humedece o Beijo
Os braços em ramos
Abraça
Desliza
Sente
A Primavera
Que se abre
Entre o pentelho
E a púbis
O choro
Perdidos
O mar a abrir-se
Em cada centelha
A burilar na vulva
O pénis altivo
As mãos entre a nuca
Os dedos a locomoverem-se
Bocas esmagadas
Jorram champagne
E espuma de mar
Entre os seios
Mar sem fundo
Cidade iluminada
Encontrados
Entre as coxas os barcos
O sal
Lambido
Gritante
A luz a desmoronar
As trevas
O véu que lateja
Os olhos
Candeeiros quentes
Perdidos
Fundo de silêncio
Incêndio
Homem
Necrófago
Explorador
Come sem ferires
Asa a asa
Polonização
Aniquila-te
Sê névoa.
Manuel Luis Feliciano
As árvores
Como a ti mesmo
Alma
Flor
Sangue de ti
Bebe do ar fresco
Das folhas
Homem
Mais pequeno que a erva
A terra
Os Pôros
A Pele
Maternidade
Lugar de ninguém
As raizes
Amor que nasce
E aquece a boca
Humedece o Beijo
Os braços em ramos
Abraça
Desliza
Sente
A Primavera
Que se abre
Entre o pentelho
E a púbis
O choro
Perdidos
O mar a abrir-se
Em cada centelha
A burilar na vulva
O pénis altivo
As mãos entre a nuca
Os dedos a locomoverem-se
Bocas esmagadas
Jorram champagne
E espuma de mar
Entre os seios
Mar sem fundo
Cidade iluminada
Encontrados
Entre as coxas os barcos
O sal
Lambido
Gritante
A luz a desmoronar
As trevas
O véu que lateja
Os olhos
Candeeiros quentes
Perdidos
Fundo de silêncio
Incêndio
Homem
Necrófago
Explorador
Come sem ferires
Asa a asa
Polonização
Aniquila-te
Sê névoa.
Manuel Luis Feliciano
2.22.2020
O teu olhar é magia,
Manhã
Respiração
Início de flores
Ventre
Amoras silvestres,
Mãos que afagam,
Coração que inebria
Beijo
Luar,
Fogueira
Cintura
Vereda
que aquece
De mãos
A abrir o sol
A promessa
O escuro
A fome
O abraço
Do corpo de seda
Nús
Crianças sem nada
Semeia
O teu beijo
A casa
O lume
Fios de amor
Saliva
Que laça
Desalaça
E arde
Terra que transpira
Semente
Choro
Barco
Na voz
E garganta
que enrouquece
Luz
Aroma
Névoa
Primavera
Bicada de pássaro
Inocência
Flor molhada
Apropria-me
Sou-te
Primeira
Árvore
Solo
Homem
Formiga
Choro
Calor
Frio
Ao teu vento
Inverno
Rastro de estrela
Incenso
Passagem
Ponte de luz
Silêncio
Bocas fundidas
Melodia do corpo
Despropia-me
Idioma
Aroma
Riacho
Ininterrupto
Sol às fatias
Fim de tarde
Mar
Choro
Lábios
Princípio de rosas
Ancas salgadas
Flor
Dois em um
Nasço-te
Minúsculo
Grão de erva.
Minúsculo
Grão de erva.
Manuel Luis Feliciano
11.14.2019
Portugal
Portugal
(Desglorificação)
Pedaço de corpo
Nú
Desabitado
Bravio
Verde em flor
Ainda por dar fruto
De toda a gente
Outrora
Berço de algum astro
Cultivado
Promessa de um céu limpo
Beijo sem ferida
Mar eterno onde bracejo
Da saliva que regressa ao ventre
E te procuro ó mundo
De dentro para fora
Expoente da raiz
E da flora
Jardim onde me sento seguro
Mãe
Sem fronteira.
Manuel Luís Feliciano
(Desglorificação)
Pedaço de corpo
Nú
Desabitado
Bravio
Verde em flor
Ainda por dar fruto
De toda a gente
Outrora
Berço de algum astro
Cultivado
Promessa de um céu limpo
Beijo sem ferida
Mar eterno onde bracejo
Da saliva que regressa ao ventre
E te procuro ó mundo
De dentro para fora
Expoente da raiz
E da flora
Jardim onde me sento seguro
Mãe
Sem fronteira.
Manuel Luís Feliciano
8.29.2019
Barrô
8.29.2019
Barrô
Ao crepúsculo
Uma casa iluminada
À luz de uma laranja
O fogo no coração
Olho-te por dentro
Mulher simples
Descalça
Abres-me a porta
Na flor do teu mistério
Os teus lábios chamam-me
No teu olhar
Desfolho-te
Pétalas de montanha
O teu corpo
Terra fresca e doce
Tremor de orvalho
A tua mão
Leme
Carne da minha
Ouço a tua voz
No rio do teu vale
De silêncio
E pedra
Soluço o teu nome
Barrô
Mulher
Cheiras-me a mãe
Douro
Terra de Santa Maria
A urze
E rosmaninho
A moscatel
Molhado de beijo
O céu limpo
A vida
As folhas das videiras
Cobrem-te o corpo
Início do mundo
Éden
Eu sou Adão
Tu és a Eva
Errantes
Peregrinos
Expulsos
Descido ao teu limbo
Ondeio no teu corpo
O teu sorriso de mosto
Mar de espuma
Amo-te tanto
Pedra por pedra
Deixa-me ouvir os teus cabelos
Seres-me o Paraíso
Conhecer-me
És tão linda
Ao amanhecer
Da tua brisa
Entre a boca
Desprende-me
O sol a nascer-te
Terra prometida
Desmorre-me
Em ti uma casa
Caminho de ir e voltar
Gosto tanto de ti
Pelo teu vale
Perco o meu mal
Só música de cordas
Os lábios nos teus gritos
O que não morre
O que não tem fim
Amor letal
Eu sou a brisa que a tua boca respira
O sol que amadurece o teu rosto
A chuva que serena a tua voz
Tu és igreja matriz
Rezo-te em flor
E a minha boca ferida de amor
Como as pedras de um convento em ruínas
No silêncio do teu coração
Adormeço sobre o teu colo
Lugar onde te sou
E volto
Te morro
E nasço
Mulher.
Escrito no lugar de Cimo
de Vila-Barrô
Manuel Luís Feliciano
8.14.2019
Portugal
És tu que lhe dás o sol
O sopro
O corpo
O coração
A minha boca
A viajar na tua
Aquece-me a voz
O sangue
Frémito de lágrima
Consolo
De amor enleado nos braços
Portugal
De cada um de nós
Distante
Ausente
Poço de ternura
Que te devolva as asas
Uma janela aberta
Sonho
Aroma da pele
A seda
Grito
Uma mãe
A gerar um filho
De mãos de terra
Mátria
Olhar de lume
Lábios de outra placenta
Choram
Sementes roubadas
O chão vazio
O escuro
Árvores que perdem a voz
O sol sequestrado
No azul das tuas ancas
As algas
Iodo
O mar em desmaio
De saliva
Amor ferido
As palavras
Manta morta
O teu corpo reluz
Ao encontro do meu
Ouço-te em flor
Suspiro de luz
Fermentação
Suspiro
Morro-te.
Manuel Luís Feliciano
És tu que lhe dás o sol
O sopro
O corpo
O coração
A minha boca
A viajar na tua
Aquece-me a voz
O sangue
Frémito de lágrima
Consolo
De amor enleado nos braços
Portugal
De cada um de nós
Distante
Ausente
Poço de ternura
Que te devolva as asas
Uma janela aberta
Sonho
Aroma da pele
A seda
Grito
Uma mãe
A gerar um filho
De mãos de terra
Mátria
Olhar de lume
Lábios de outra placenta
Choram
Sementes roubadas
O chão vazio
O escuro
Árvores que perdem a voz
O sol sequestrado
No azul das tuas ancas
As algas
Iodo
O mar em desmaio
De saliva
Amor ferido
As palavras
Manta morta
O teu corpo reluz
Ao encontro do meu
Ouço-te em flor
Suspiro de luz
Fermentação
Suspiro
Morro-te.
Manuel Luís Feliciano
8.09.2019
Portugal
Perdes-te no rumo
Desfazes o caminho
As mãos
Nas curvas
De pó
O Deserto
Aroma de seios
Blusa
Azul de mar
Negra
A flor
Vermelha
Que arde em silêncio
Na casa de gomos
A boca de incenso
Os lábios de ervas
As nuvens de folhas
A chuva no dorso
A frescura das aves
O sol a raiar
No colo
Molhado de saliva
A incendiar
A paixão
A voz
O ventre
No corpo despido
O amor
Na falésia
Uma janela que escorre
De ar quente
Nas ancas salgadas
Suspiro
O teu nome
Que arde na boca
Lua crescente
Os meus beijos
A suspirar os teus cabelos
Que são de todos
De trigo
E uvas
País à beira mar
Longínquo
Emudecido
De vento
De areias
De escórias
Vozes que gritam
A tua rosa pura
De húmus
Dormente
De corpos inexistentes
Perdido
Por inventar.
Manuel Luís Feliciano
7.26.2019
Felizmente há luar
A noite é velha
De sílabas cansadas
De flor a crestar
O medo
A voz enferrujada
Navios roucos
Pousados
Sobre a areia
Rosa divina
As tuas mãos são o leme
Contra a miséria
A pobreza
E a opressão
Desata o povo
Felizmente há luar
Rosas nos seios
A esperança
E o amanhã
O fogo que nos quer
Viver
A boca
Quente
O orvalho
A paz
O mar
A pele
As costas
E a redenção
Ardem cadeiras
E moedas no chão
As grades
O cárcere
Somos o vinho
Que ferve pelos bagos
Dança comigo
Põe a tua saia verde
Calam-se os sinos
E os Reis do Rossio
Tu és Paris
E e eu a Revolução
A queda da Bastilha
A voz nova que nasce
O fogo
A redenção
O povo
A rua menstruada
A voz que sonha
O feto
Vencer a escuridão.
Manuel Luís Feliciano
De sílabas cansadas
De flor a crestar
O medo
A voz enferrujada
Navios roucos
Pousados
Sobre a areia
Rosa divina
As tuas mãos são o leme
Contra a miséria
A pobreza
E a opressão
Desata o povo
Felizmente há luar
Rosas nos seios
A esperança
E o amanhã
O fogo que nos quer
Viver
A boca
Quente
O orvalho
A paz
O mar
A pele
As costas
E a redenção
Ardem cadeiras
E moedas no chão
As grades
O cárcere
Somos o vinho
Que ferve pelos bagos
Dança comigo
Põe a tua saia verde
Calam-se os sinos
E os Reis do Rossio
Tu és Paris
E e eu a Revolução
A queda da Bastilha
A voz nova que nasce
O fogo
A redenção
O povo
A rua menstruada
A voz que sonha
O feto
Vencer a escuridão.
Manuel Luís Feliciano
7.19.2019
Douro - Loivos da Ribeira
Douro - Loivos da Ribeira
Os teus olhos
Pousaram nos meus
E os meus incendiaram-se
Ficaram com medo de entrar
Nas janelas dos teus
De quem olha um Jardim
De quem se quer sentar
E sentir a paz das oliveiras
Eu fiquei tão sereno
Porque encontrei em ti a colina
O deslizar do vale
E o rio Douro a correr-nos
A mansidão das ervas
Os teus braços tão leves acorrentar-me
E a tua pele terra de brisa
À espera de um beijo
Que te abrisse o voo
O céu que atravessa a ponte da Ermida
O teu olhar
Da humidade do Douro
Abraço
Do amanhecer
Ternura
Suspiro do que volta a nascer
O cheiro das laranjas dos teus dedos
O amor
A peregrinação de uma encosta
Que nos mostre o mar
E no fundo
Do nosso olhar e da nossa carne
Deus em nós reunido
Cada sílaba que não conseguimos dizer
Mas que vivenciamos
A origem do mundo
O infinito das tuas pálpebras
Eram de carne e não eram de carne
Os teus cabelos eram tão de luz
Mais longos que o mundo
E o teu rosto
O milagre da música
Amor
Big bang
Eu amo-te tanto
Que ouço as tuas flores dentro de mim
O céu a iniciar-se
A beleza de todos os animais
O fogo que traz a vida
O Deus que há-de vir
Verdade dentro de nós
Poema
Segredo
Beijo!
Manuel Luís Feliciano
7.18.2019
A selva
Esta Selva
A que deram o nome de Portugal
Elefante sem direito a terra
Maranhão
Índios exaustos na guerra
Dos cafezais
Branco explorador
Negro escravo
Não é cultura
Nem amor
É tortura
Sem pudor
Ideologia
Se ao menos lavasses o rosto
No rio Jordão
Se fosses sangue do mesmo sangue
Se fosses amor do mesmo amor
E sentir de todo o sentir
Vivesses nos ombros
E os ombros vivessem em ti
Tu serias Portugal
Terias fado e lágrimas
Sentisses a fome
E fosses a fome
Olhasses os que choram
E fosses os que choram
Olhasses os mendigos
E soubesses ser a rosa
Mística
De sal
E mar para todos
Aos que sofrem
Seres rio e verdade
Aos que que nada têm
Seres caravela
Luz e leme
País de tiranos
O mundo impuro
Consente
Eu não
E em cada canto das Cidades
Gorilas por debaixo das Pontes
São animais sem país
Sem língua
Identidade
Cidadania
Não entram na conta
Do político
Malabarista
Da esquizofrenia
Alienação
São carne para matar
Os sem braços
E pernas
Animais de outra espécie
Na selva do capital
Não prosperam
E sonham
Minguam o corpo
Não há bananas
São vendaveis!
Quem te faz a cama
E te mexe a lama
E nela se enlama
É o político
Que vai morrer
Ao relento do céu
Do mesmo jeito que o gorila
Virar merda
Ser cagalhão
De nada lhe vale o tostão
Astrolábio sem direção
Sem estatuto
E ideologia
Dar o tributo ao chão.
Manuel Luís Pereira Feliciano
A que deram o nome de Portugal
Elefante sem direito a terra
Maranhão
Índios exaustos na guerra
Dos cafezais
Branco explorador
Negro escravo
Não é cultura
Nem amor
É tortura
Sem pudor
Ideologia
Se ao menos lavasses o rosto
No rio Jordão
Se fosses sangue do mesmo sangue
Se fosses amor do mesmo amor
E sentir de todo o sentir
Vivesses nos ombros
E os ombros vivessem em ti
Tu serias Portugal
Terias fado e lágrimas
Sentisses a fome
E fosses a fome
Olhasses os que choram
E fosses os que choram
Olhasses os mendigos
E soubesses ser a rosa
Mística
De sal
E mar para todos
Aos que sofrem
Seres rio e verdade
Aos que que nada têm
Seres caravela
Luz e leme
País de tiranos
O mundo impuro
Consente
Eu não
E em cada canto das Cidades
Gorilas por debaixo das Pontes
São animais sem país
Sem língua
Identidade
Cidadania
Não entram na conta
Do político
Malabarista
Da esquizofrenia
Alienação
São carne para matar
Os sem braços
E pernas
Animais de outra espécie
Na selva do capital
Não prosperam
E sonham
Minguam o corpo
Não há bananas
São vendaveis!
Quem te faz a cama
E te mexe a lama
E nela se enlama
É o político
Que vai morrer
Ao relento do céu
Do mesmo jeito que o gorila
Virar merda
Ser cagalhão
De nada lhe vale o tostão
Astrolábio sem direção
Sem estatuto
E ideologia
Dar o tributo ao chão.
Manuel Luís Pereira Feliciano
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