11.12.2024

 

És um sonho
Um céu aberto
Um ar cheio de maresia
E eu areias da praia da Madalena
As asas de uma gaivota
O ar limpo
A terra em flor
Um suspiro
Uma gota de orvalho
O mar cheio de amor
Ante o teu olhar 
De folhas de mil cores 
Menstruadas de Outono
Eu sou uma árvore despedida.

Para ti minha querida ❤️

9.22.2024

 O amor poderia ser [...]


Cada olhar que me leva 


Cada sorriso que pousa


Cada lágrima que cai 


Cada mão que me desagarra


Cada luz que segue em silêncio 


Cada caminho que os teus pés fazem


Cada luz escrevo nos teus lábios


Cada folha caída que o vento varre


Como tu no momento em que apanhas o comboio


Na gare do Oriente para um outro país qualquer


Num trem de névoas a desfazer-se 


E eu no outro lado da linha 


Metade de mim dentro - metade de mim fora


Cada flor que se abre a meia luz 


Passageiro de um mistério de tantas possibilidades entre a luz das tuas retinas 


Cada palavra que os teus dedos silenciam


Cada ponte que deixo por atravessar 


A abelha que por qualquer razão não pousa na flor 


Que habita o limbo da beleza no jardim dos teus cabelos 


Entre o nada de uma flor e as pétalas caídas a renascerem do chão .


Manuel Luís Feliciano 


6.10.2024

  


José, José 
O homem se casa com o latifúndio 
Com a terra arável 
Com a mulher x
De um abecedário 
Com a letra da palavra 
Com a palavra da frase 
Com o que os olhos comem 
Com o preconceito 
Com a ideologia 
Com o protótipo da beleza 
O Homem feio é para ser tio
Não tem lugar nos olhos da Vénus 
A quem a bioquímica não acha graça
 A sociedade cobra 
O alter ego contesta  
O estatuto não combina
A helena de Tróia não aplaude 
A intuição diz que não 
O manual das crenças não aprova
O eu imaginário não tem ligação.


Manuel Luís Feliciano 

 Tempo roubado 


Olhei para o céu e já não tinha céu

O céu era a minha mãe 

Também não vi o sol

O sol era meu pai

Olhei para o chão e não tinha ervas

As ervas eram as pessoas

Também para lá olhei e não vi as flores

As flores eram meus amigos

Também não vi as árvores

As árvores eram as pessoas que me diziam bom dia

E já não estavam lá as aves que voaram para longe...

Que eram meus irmãos.


Manuel Luís Feliciano 



 

5.22.2024

 O mundo é um texto 

O difícil é escolher  cada palavra

Cada verso

A pontuação correcta nos  lábios da vida 

Dar-lhes a respiração certa

Sabendo que cada uma se reveste de um olhar

De um silêncio de areia do deserto

Sabendo que nenhuma delas é perfeita 

Que nenhuma delas É assim tão grande

Que nenhuma delas É assim tão pequena 

Que Nenhuma delas se  encerram em  si mesmas

E nos permitem  seguir com as que escolhemos 

Sem que sejam pesadas como pedras 

Sem tropeçar em outras tão diversas  sobre as 

ruas 

perpendiculares e paralelas. 


Manuel Luís Feliciano 


4.28.2024

 Amo cada fio dos teus cabelos dourados, cada gota de orvalho do teu olhar,  cada precipício que me leva ao mais tranquilo e lugar seguro, sinto-te de folhas a amaciar o vento, de água a tocar -te as raízes, sou frágil ante a tua luz de espigas douradas, eu abraçado a ti,  tenras plantas quebráveis, soluço de mar e espuma, luz a dissipar-se no chilrear de um pássaro, busco-te como quem busca a eternidade, o teu andar que se prolonga na rua, procuro  morrer-te como o nascer do sol,  ouvir-te nas fragrâncias das flores, para que tudo nasça sem dor e lamento, bastaria que o sol ouvisse dos teus sussurros, as nuvens mais escuras do teu olhar infinito, a neve mais fria do abrir das tuas pálpebras, o florescer do luar  no  leito do teu rio a abraçar a noite, e déssemos como quem nasce  desse amor ao mundo.


Manuel Luís Feliciano 


 Vemos, ouvimos, presenciamos, sentimos e pressentimos - agarrados ao asilo da consciência.


Manuel Luís Feliciano 

2.29.2024

 Não te quero ver

 As ruas onde passo

 Sei-as de cor


 De olhos vazios para céu

 E lábios ardentes na terra

 Vou cheio de ti

 E das canções das ervas

 

E a tua carne

 origem de todo o silêncio

 do mar

 do rio

E do fogo

 Liga-se a outra carne

 

que não sabe do pó

 que dorme sobre os ossos


 Crianças

 Feitas de aveia

 Bebem-nos os astros sonâmbulos

 Mães a parir toda a dor


 E não te ver: são nuvens a desfazer-se

 O sol dentro de mim

 Em mãos dentro de outras mãos

 Barco na sêmola do amor


 No mar de uma navalha

 Em mãos desavindas do sal

 És luz que não deixa chegar

 E sombra que não deixa partir

 


Pássaro na orgia da brisa

 Ouço-te transmigrar para a morte

 Em grão a rasgar todo o fim!

 

manuel feliciano

1.20.2024

No mundo, eu experimentei várias coisas
das coisas  que experimentei, nenhuma delas me coube.

Manuel Luís Feliciano 

11.20.2023

O Eu entre os abismos

 

O mundo é o próprio abismo, o abismo de existir, o abismo de não o compreendermos, o abismo de encararmos a viagem,  o abismo de não nos percebermos, o abismo da ilusão,  o abismo de ser ou não ser, o abismo de não sermos por completo, o abismo de todos os porquês sem uma resposta óbvia,   o abismo da finitude.

Manuel Luís Feliciano

11.10.2023

 A consciência das coisas 

Em permanência 

Torna-se material

Dói e pesa

Como um homem já sem força 

Sozinho 

A arrastar-se à chuva.


Manuel Luís Feliciano

11.08.2023

 Amo o teu corpo 

A tua saliva

Os teus olhos

O teu nariz e boca 

A tua pele de seda 

A tua bucetinha rosada 

A tua rosa anal 

Amo a tua ousadia 

O Teu sol

A Tua lua 

O Teu inverno e primavera 

O Teu verão e outono

Amo-te árvore vestida e despida 

Amo o teu sal marítimo 

Vaga de mar e rosas 

Lágrimas 

E o mel das tuas ancas

Axilas 

Virilhas 

Lábios bucetianos 

Amo-te dos pés à cabeça 

Da terra ao céu 

Do céu à lua

Fodes-me com o teu olhar 

Com o teu look

Com os teus movimentos 

Com a tua magia.....

Fodes-me de amor 

Quando diz que sim

Quando diz que não 

Quando optas por não dizer nada 

Quando me negas 

Quando me jogas fora da tua estrada 

Quando não me deixas ler o amor no teu corpo

Quando não me deixas escrever poemas na tua pele

Quando me abandonas, sabe-me sempre a ti

Quando me dizes não também me dizes sim

Ao teu beijo

Ao teu soluço 

Ao barco determinado que te atravessa 

Ao farol que te ilumina 

Numa noite de nevoeiro 

Sou eu

Mãe 

Amor 

Irmã 

Deusa 

Mulher 

Amante 

Minha âncora desancorada

Há um hemisfério que se une ao teu outro

Uma pedra que toma a tua mão e faz parte do teu muro 

O mar dos teus olhos existe mesmo  fora de ti 

E entra-me pela luz de sol que me galga

Amanda C

Amanda C 

Amanda C

Escreve- te a minha boca enrolada no mar a bater na tua púbis .

Amanda C

Diz o mar a bater na leveza das tuas doces ancas

Planície de orquídeas.


Manuel Luís Feliciano

9.27.2023

 Antes demais...

Te dizer que adoro a cor da tua pele 

A tua cor tem doces e macios 

Que mais nenhuma outra pele tem 

À parte de teres uma cor bonita 

 Tal como a primavera 

Tem cheiros e cores sempre novas como as flores

É cor de manhã que nasce 

Do sol que se põe 

Do dia que renasce 

É cor de Brasil 

Amo a beleza da tua pele por ser morena, mas pode ser mais escura, ou mais clara, não

Perde luar, luz e candura

Além de que é pele de mulher 

Do amor que nasce dentro de ti, é cor de mãe, de filha 

De Deus e infinito, de sonho que transborda

De uma manhã que há-de sempre surgir.


Manuel Luís Feliciano

9.24.2023

 É difícil ficar na fronteira do teu muro

Não conseguir entrar por inteiro no teu jardim

Saber que dentro dos teus olhos há um espaço 

Que eu  só posso percorrer do lado de fora

Saber que a tua mão que aquece a minha mão 

É uma  luz  única, inseparável,  não se divide

O que te vejo por dentro, é a torrente de um beijo, um soluçar de ondas

Num hemisfério de luz que é só teu

São os teus olhos que me levam ao teu coração

À maresia das tuas palavras salpicadas de sal

Ao teu interior feito de mar profundo

E me deixam do lado de fora, a admirar o teu fogo, a tua alma, uma janela para o mundo só tua. 


Manuel Luís Feliciano

 A alma é o que sinto e não vejo.



Manuel Luís Feliciano 

 O homem é um animal presos às suas próprias emoções.


Manuel Luís Feliciano 

9.22.2023

 Ninguém nos habita senão nós mesmos.



Manuel Luís Feliciano 

 É difícil ficar na fronteira do teu muro

Não conseguir entrar por inteiro no teu jardim

Saber que dentro dos teus olhos há um espaço 

Que eu  só posso percorrer do lado de fora

Saber que tua mão que aquece a minha mão 

É uma  luz  única, inseparável,  não se divide

O que te vejo por dentro, é a torrente de um beijo

O que me fazes sonhar, no universo que é só teu

São os teus olhos que levam para dentro de ti

E me deixam do lado de fora admirar o teu 

fogo.


Manuel Luís Feliciano

8.27.2023

  O sol afinal 

A luz que não teme

 fera do cálculo 

O brilho da espada 

As mãos acorrentadas

A porta

Escancarada do teu rosto

A silhueta

Do movimento do beijo

A verdade

Do fogo

A afogar-se no mar

A saliva de uma manhã

Sobre uma flor

O que resta 

Dos ombros em brasa

A voz que ainda arde

As tuas pálpebras entrecolhidas 

A dissolução do escuro 

O crepúsculo do bulício dos lábios

 da sombra de um barco no mar.

Manuel Luís Feliciano


 Como eu queria fechar a porta 

E sair à rua leve 

Com a certeza de que dentro da casa

Não ficam senão paredes

E se alguém houver 

Que seja amor, luz e vida permanente

E do lado de fora

Espaço do céu 

Que nada pese

O exterior seja livre, puro e limpo.


Manuel Luís Feliciano