Nasce-te o sol nos cabelos
E escorre-se-te pelo colo
Em música de licor
Com pão-de-ló molhado
Metáfora na língua
De um campo baldio
Jangada de cio a céu aberto.
Desconcerto-te os lábios
E os meus dedos – pautas
Pingam-te mel no rosto
E no rocio maduro das mangas
Dou-me aos teus mamilos
Num sopro de aves.
Em cañones no Peru.
Semântica lacustre
Nos verbos da pélvis
Sintaxe descoordenada
Com todo o nexo.
Espasmos ruem-nos
Sem nenhum destroço
Luas entre as nádegas
E ergue-se me uma árvore
Em húmidas amoras
Pelos lábios salgados
Mordem-nos hienas
E esvoaçamos em brumas.
manuel feliciano
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